Os anúncios de emprego em Portugal são um bicho estranho. Não havendo legislação que os regule, seria de esperar que imperasse o bem senso, mas parece-me que este não abunda muito por estes lados. Vê-se de tudo um pouco: empregadores anónimos, condições de trabalho absurdas, salários irreais (quando referidos) e a exigência de tudo e mais um par de botas. E seria de pensar que isto seria apenas em sítios manhosos, como lhes costumo chamar, mas não, estes anúncios aparecem nos sites mais populares de oferta/procura de emprego, inclusivamente num site governamental, pago, portanto, com dinheiros públicos. Falo, obviamente do sítio online do IEFP, do qual já falei brevemente aqui. Na verdade, aqui existem muito poucas ofertas publicadas e as que existem são, muitas vezes, se não ilegais, muitas vezes imorais. Não constitui surpresa nenhuma encontrar por lá anúncios em que se pedem licenciados (ou mestres), como arquitectos, engenheiros ou professores, a tempo inteiro pelo salário mínimo (485 euros, uma fortuna). E eu questiono-me sempre se, antes de qualquer anúncio ser lá publicado, não haverá por lá uma alminha com a quarta classe mal tirada, que saiba ler, e que olhe para aquilo com olhos de ver e não permita a publicação!? Daqui as pessoas depois retiram as suas conclusões: se através de um organismo público podemos publicar anúncios destes, sem qualquer proibição ou penalização, então noutros lugares podemos fazer muito pior! E é o que fazem...
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