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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Respondi a um anúncio de emprego e obtive esta resposta


Nem sei o que vos diga acerca disto. Não sei que parte me chocou mais, se as ilegalidades e imoralidades que propõem, se a distinta lata que têm para fazer uma proposta destas. 

Primeiro, já chegámos ao ponto em que temos que pagar para trabalhar? Então e a minha licenciatura, o meu estágio, a minha experiência profissional e o meu mestrado quase concluído não contam para nada? (Friso que se tratava de uma posição na minha área de formação específica! ) Não sei se isto é ilegal, mas pelo menos imoral sei que é.

Depois vem a parte claramente ilegal: a falsa situação de recibos verdes, dado que há uma entidade patronal e um horário fixos. E a desculpa deles nem sequer se justifica, dado que qualquer contrato laboral tem um período de experiência, ao fim do qual qualquer uma das partes o pode denunciar sem prejuízo.

E, por fim, ainda querem fazer uma entrevista de grupo para dar a conhecer o projecto, ou seja, ver se convencem alguém a aceitar trabalhar nestas condições.

Eu, sinceramente, não sei onde é que este país vai parar. 



Para saberem o que é um falso recibo verde podem consultar este site. Desde 1 de Setembro está em vigor uma nova lei para tentar combater os falsos recibos verdes (esta aqui), que resultou da luta de um movimento de cidadãos. Para estarem informados sobre estes assuntos, nada como consultarem o site Ganhem Vergonha (já falei sobre ele aqui) ou segui-los no Facebook.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

É a crise... de valores!

Na Sexta-feira, o programa da RTP Sexta às 9 emitiu uma reportagem sobre a questão do desemprego em Portugal. Muito resumidamente, eram apresentadas duas situações: por um lado, empresas que não conseguiam preencher todas as vagas de emprego que ofereciam, por outro, desempregados a quem eram oferecidos "salários" vergonhosos a troco de trabalho a tempo inteiro.

Fiquei muito curiosa quando vi a promoção do programa e, por isso, assisti à reportagem com toda a atenção. Ora bem, vamos à primeira parte: apareceu um empresário a queixar-se que não tinha ninguém que aceitasse os empregos que tinha para oferecer na sua fábrica (de calçado, julgo), porque preferiam ficar em casa a receber o subsídio de desemprego do que ir trabalhar pelo salário mínimo. Sim, é verdade que haverá muita gente por esse país fora que não quer, de facto, trabalhar, mas também é verdade que há gente que não pode, pura e simplesmente, dar-se ao luxo de sofrer mais qualquer corte no seu já parco rendimento mensal. Por alguma razão os beneficiários do subsídio de desemprego não são obrigados a aceitar propostas de trabalho em que o valor do salário é inferior ao do subsídio... Para quem não sabe, eu explico: o valor do subsídio corresponde, grosso modo, a 60% do salário que a pessoa auferia, logo, dado que ao ficar desempregada essa pessoa já viu ir à vida quase metade do seu rendimento, é normal que agora uma pequena diferença, por menor que esta possa parecer, que lhe seja apresentada seja quase incomportável (mesmo que sejam "só" cem euros...).

Mas aquilo que verdadeiramente me interessava naquela reportagem era a outra parte, dado que tenho vindo a acompanhar a denúncia de vários casos ilegais e/ou imorais na Internet. O que acontece é que há muitas empresas e empresários que se têm vindo a aproveitar do estado em que o país se encontra para contratar mão-de-obra quase a custo zero. Pois é verdade, se forem a uma entrevista de trabalho pode ser que vos ofereçam menos de 300 euros a troco de trabalho a tempo inteiro... E ainda vão ficar muito ofendidos se vocês reclamarem, porque se vocês não aceitarem haverá, com certeza, quem esteja desesperado ao ponto de o fazer...

E pronto, este é o país de merda em que vivemos. Desculpem, mas eu ando pelos cabelos com esta situação e tenho-me segurado para não desatar a dizer asneiras a torto e a direito e a mandar esta gente toda para a pata que os pôs. Mas não se preocupem, eu hei-de voltar a este assunto (fujam enquanto podem!) porque me fartei de estar calada.




sábado, 26 de outubro de 2013

Para darem respostas destas, mais valia estarem calados. Isto não é propriamente neurocirurgia...

Especificidades da função?! Pelo amor da santa, eu candidatei-me a um lugar de vendedora numa loja de roupa! Pronto, era Boutique Assistant, mas ainda assim...

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Estará o desemprego mesmo a baixar?

Os anúncios de emprego com que vou deparando, bem como as notícias que todos os dias ouço ou leio, deixam-me muito poucas dúvidas: cada vez mais caminhamos para uma situação de escravatura dos tempos modernos. Como é óbvio, para tal contribui, entre outras coisas, o facto de proliferarem os estágios não remunerados, bem como a degradação das condições de trabalho e do valor dos salários.

Foi isso mesmo que hoje li num texto de opinião muito interessante. A propósito dos números do desemprego, que parecem estar a baixar, diz o autor (um jornalista) que tal não reflecte necessariamente uma melhoria nas condições de vida, mas sim um medo generalizado que faz com que as pessoas aceitem qualquer coisa a troco de quase nada:

"É possível que a taxa de desemprego continue a descer, já que os salários estão a sofrer uma forte degradação. Só que isso, ao contrário do que pretendem os neoliberais, não representa uma melhoria das condições de vida das pessoas ou da economia. É evidente que, se os salários continuarem a descer e os despedimentos forem cada vez mais fáceis, haverá cada vez mais empregadores dispostos a oferecer trabalho por baixos salários. A questão é a qualidade desses postos de trabalho. Portugal já tem a vergonha de ser um país onde ter um emprego não representa uma protecção contra a miséria e o que tudo indica é que o número de empregados pobres vai continuar a aumentar. O que pode coincidir com uma descida da taxa de desemprego, mas está longe de ser óptimo. Se o Governo levasse a sua avante e o salário mínimo fosse eliminado (um sonho dos neoliberais), o desemprego provavelmente desceria de forma radical. Seria possível contratar trabalhadores em troca de um prato de sopa ou de um par de sapatos e haveria suficientes “empregos” para todos e muitos desesperados prontos a aceitá-los. Afinal, nas sociedades esclavagistas não havia escravos desempregados. A desvalorização do trabalho, as descidas de salários, os despedimentos, o aumento de impostos e o empobrecimento geral da sociedade têm este objectivo: reduzir os salários até ao ponto em que os trabalhadores se vejam reduzidos a uma quase escravidão. Entretanto, as televisões ir-nos-ão dando as boas notícias do Eurostat!"

A propósito dos estágios não remunerados, o jornalista, que já foi um seu defensor, agora critica-os, por serem apenas uma maneira cómoda de obter mão de obra de forma gratuita, em vez de ser um período de formação, como seria expectável:

"Tratou-se sempre de situações onde tinha a absoluta convicção de que a formação que estava a dar aos estagiários era profissionalmente útil, pessoalmente enriquecedora e com um valor reconhecido pelo mercado. E parecia-me aceitável que esses estágios não fossem remunerados porque acreditava que aquilo que dávamos aos nossos formandos valia muito mais que um ordenado. Mas a verdade é que é cada vez mais raro que um estágio não remunerado seja concebido e executado como uma acção de formação séria e, na esmagadora maioria dos casos, é apenas um eufemismo para uma exploração sem-vergonha de trabalhadores jovens em busca do primeiro emprego. Muitos dos não-desempregados-não-empregados que não aparecem nas estatísticas de desemprego são estagiários explorados por empresas sem escrúpulos. Hoje penso que os estágios não remunerados se tornaram puras ferramentas de exploração e, por isso, devem acabar. Um estagiário merece pelo menos o salário mínimo."

Acho que este texto diz bastante sobre o estado a que este país chegou. Quem quiser pode lê-lo integralmente: A escravatura como forma de combater o desemprego?, um texto do jornalista José Vítor Malheiros, publicado no site Clube de Jornalistas.

domingo, 1 de setembro de 2013

Porque isto é tudo uma questão de sorte. E nada mais!

Durante algum tempo, 3 anos para ser mais precisa, achei-me uma pessoa cheia de sorte. Acabei o curso (quatro anos mais um de estágio, não remunerado diga-se de passagem) numa área daquelas que "não têm saídas", como se costuma dizer, e pouco tempo depois arranjei emprego na minha área. Tudo bem, foi um Estágio Profissional, mas ainda assim... 

Quando acabou o estágio, eu fui posta a andar, mas voltei a encontrar emprego na minha área, mas desta vez bem melhor do que o outro. A contrapartida? Era uma substituição. Estive a substituir uma colega que esteve de baixa prolongada durante largos meses. Entretanto ela regressou e eu lá fui à minha vida. Estive uns meses desempregada, sem direito a nada porque não chegava a ter um ano de descontos para a Segurança Social, graças aos moldes do maldito Estágio Profissional. Mas esta situação não durou muito tempo, é verdade, porque uns meses depois voltei a receber um telefonema da empresa onde tinha estado a trabalhar; estavam a chamar-me de novo porque uma outra colega estava no início de uma gravidez de alto risco e iria ficar de baixa durante muito tempo (se a gravidez corresse bem, claro está). E aí fui eu para mais uma substituição. A verdade é que nenhum destes contratos (a termo incerto) era muito seguro! Isto porque, de mês a mês, eu sentia o coração cair-me aos pés, pois legalmente as baixas são renovadas com periodicidade mensal (é o tempo máximo permitido por lei). 

Nesta segunda substituição, tudo correu bem com a gravidez da minha colega, ela teve a sua bebé e eu continuei a substituí-la durante a licença de maternidade. Até que chegou o dia que eu mais temia. A secretária da direcção veio falar comigo para marcar uma reunião com o director. Ora, sabendo eu que o director não era uma pessoa nada formal e que falava connosco a qualquer altura, quando fosse necessário, vi logo do que se tratava: iam dar-me a guia de marcha. Bem, lá no fundo (bem no fundo) eu ainda tinha uma réstia de esperança, lá achava que podia haver uma meia-dúzia de horas para mim! Naquela altura eu já me sentia muito bem naquela casa, estava a adorar o meu trabalho (com muito sangue, suor e lágrimas pelo meio) e já me sentia parte da família! Não queria, de maneira nenhuma, ir embora... Mas aquilo que eu mais temia aconteceu, o director tinha-me chamado para dizer que a minha colega ia voltar, mais cedo do que o previsto (não ia gozar a licença toda) e estava na hora de eu me pôr a andar. Avisou-me das condições do fim do contrato e da carta que eu iria receber (tudo conforme a lei). E agradeceu-me. Sim, agradeceu-me pelo meu trabalho!

E pronto, dai a um tempo já estava, mais uma vez, sem emprego, mas desta feita com direito a protecção social (sobre as minhas aventuras com a Segurança Social e com o Centro de Emprego falo doutra vez, porque merecem um (ou mais) post à parte).

Queria ainda acrescentar que foi por um mero acaso que fui parar a esta empresa. Quando vi que o meu Estágio Profissional estava mal parado e que, ao contrário do que me tinha sido prometido no início, o mais provável era que não fosse integrada na empresa, fiquei com tanta raiva que comecei a fazer candidaturas espontâneas. Enviei, por carta (!), o meu currículo a meia-dúzia de empresas da zona, na minha área de formação, pensando de antemão que não serviria de nada. Só houve uma que me respondeu, dizendo que, naquele momento, não tinham qualquer vaga na minha área, mas que guardariam o meu CV para uma oportunidade futura. Daí a uns meses estavam a ligar-me para fazer a primeira substituição...

Há coisas do arco da velha, não há?! Cada vez mais me convenço que, nisto da procura de emprego, o que mais conta é aquele factor sobre o qual nós não temos qualquer controlo: a sorte!