quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A outra carta

Desde que fiquei desempregada, em Julho de 2012, fui contactada pelo IEFP por duas vezes, sendo que ambos os contactos ocorreram já depois de ter completado um ano de desemprego e numa altura em que já não recebia subsídio de desemprego. A primeira foi esta. A segunda foi há cerca de um mês. 

Mais uma vez, fiquei muito surpreendida quando recebi esta carta e mais fiquei com o conteúdo da mesma. Eles estavam a convocar-me para uma "Sessão Colectiva de Orientação". Primeiro, eu não fazia ideia do que aquilo era... Segundo, eu já não estava a receber subsídio, apenas me encontrava inscrita no Centro de Emprego, no entanto eles diziam que se eu não fosse tinha que dar uma justificação ou então anulavam "a minha inscrição para emprego". Mais, o objectivo da tal sessão era "dar continuidade ao seu plano de emprego", que eles diziam que eu tinha definido no Centro de Emprego. Eu não me lembrava de ter definido nada, mas está bem...

Entrei em contacto com uma amiga minha que é da área dos Recursos Humanos e que, inclusivamente, fez estágio no IEFP para ela me esclarecer estas e outras questões. Ela lá me explicou que o plano de emprego é definido unilateralmente e, basicamente, é o nome que se dá ao processo de quando alguém está desempregado e está à procura de emprego. Resumindo e concluindo, é para inglês ver porque, na realidade, não há qualquer plano. 

Primeiro decidi que não ia, mas depois mudei de ideias e resolvi comparecer. Mas até essa minha amiga estava a achar isto estranho, dado que não percebia o que é que eu, enquanto licenciada, iria fazer ao Centro de Formação (dado que o IEFP não consegue dar qualquer resposta a quem tem uma licenciatura, não tem formação disponível). Eu já estava a achar que ia ser uma daquelas belas formações em que eles nos ensinam a fazer currículos... Mais, a carta tinha uma parte bastante gira, onde dizia que aquela era  uma "intervenção considerada necessária ao seu percurso de inserção"... Inserção? Really? Eu sei que sou um bocado anti-social, mas também não era caso para tanto...

Lá fui. E o que se passava afinal? 

Aceitam-se apostas...

To be continued...

terça-feira, 5 de novembro de 2013

É a crise... de valores!

Na Sexta-feira, o programa da RTP Sexta às 9 emitiu uma reportagem sobre a questão do desemprego em Portugal. Muito resumidamente, eram apresentadas duas situações: por um lado, empresas que não conseguiam preencher todas as vagas de emprego que ofereciam, por outro, desempregados a quem eram oferecidos "salários" vergonhosos a troco de trabalho a tempo inteiro.

Fiquei muito curiosa quando vi a promoção do programa e, por isso, assisti à reportagem com toda a atenção. Ora bem, vamos à primeira parte: apareceu um empresário a queixar-se que não tinha ninguém que aceitasse os empregos que tinha para oferecer na sua fábrica (de calçado, julgo), porque preferiam ficar em casa a receber o subsídio de desemprego do que ir trabalhar pelo salário mínimo. Sim, é verdade que haverá muita gente por esse país fora que não quer, de facto, trabalhar, mas também é verdade que há gente que não pode, pura e simplesmente, dar-se ao luxo de sofrer mais qualquer corte no seu já parco rendimento mensal. Por alguma razão os beneficiários do subsídio de desemprego não são obrigados a aceitar propostas de trabalho em que o valor do salário é inferior ao do subsídio... Para quem não sabe, eu explico: o valor do subsídio corresponde, grosso modo, a 60% do salário que a pessoa auferia, logo, dado que ao ficar desempregada essa pessoa já viu ir à vida quase metade do seu rendimento, é normal que agora uma pequena diferença, por menor que esta possa parecer, que lhe seja apresentada seja quase incomportável (mesmo que sejam "só" cem euros...).

Mas aquilo que verdadeiramente me interessava naquela reportagem era a outra parte, dado que tenho vindo a acompanhar a denúncia de vários casos ilegais e/ou imorais na Internet. O que acontece é que há muitas empresas e empresários que se têm vindo a aproveitar do estado em que o país se encontra para contratar mão-de-obra quase a custo zero. Pois é verdade, se forem a uma entrevista de trabalho pode ser que vos ofereçam menos de 300 euros a troco de trabalho a tempo inteiro... E ainda vão ficar muito ofendidos se vocês reclamarem, porque se vocês não aceitarem haverá, com certeza, quem esteja desesperado ao ponto de o fazer...

E pronto, este é o país de merda em que vivemos. Desculpem, mas eu ando pelos cabelos com esta situação e tenho-me segurado para não desatar a dizer asneiras a torto e a direito e a mandar esta gente toda para a pata que os pôs. Mas não se preocupem, eu hei-de voltar a este assunto (fujam enquanto podem!) porque me fartei de estar calada.