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domingo, 1 de setembro de 2013

Porque isto é tudo uma questão de sorte. E nada mais!

Durante algum tempo, 3 anos para ser mais precisa, achei-me uma pessoa cheia de sorte. Acabei o curso (quatro anos mais um de estágio, não remunerado diga-se de passagem) numa área daquelas que "não têm saídas", como se costuma dizer, e pouco tempo depois arranjei emprego na minha área. Tudo bem, foi um Estágio Profissional, mas ainda assim... 

Quando acabou o estágio, eu fui posta a andar, mas voltei a encontrar emprego na minha área, mas desta vez bem melhor do que o outro. A contrapartida? Era uma substituição. Estive a substituir uma colega que esteve de baixa prolongada durante largos meses. Entretanto ela regressou e eu lá fui à minha vida. Estive uns meses desempregada, sem direito a nada porque não chegava a ter um ano de descontos para a Segurança Social, graças aos moldes do maldito Estágio Profissional. Mas esta situação não durou muito tempo, é verdade, porque uns meses depois voltei a receber um telefonema da empresa onde tinha estado a trabalhar; estavam a chamar-me de novo porque uma outra colega estava no início de uma gravidez de alto risco e iria ficar de baixa durante muito tempo (se a gravidez corresse bem, claro está). E aí fui eu para mais uma substituição. A verdade é que nenhum destes contratos (a termo incerto) era muito seguro! Isto porque, de mês a mês, eu sentia o coração cair-me aos pés, pois legalmente as baixas são renovadas com periodicidade mensal (é o tempo máximo permitido por lei). 

Nesta segunda substituição, tudo correu bem com a gravidez da minha colega, ela teve a sua bebé e eu continuei a substituí-la durante a licença de maternidade. Até que chegou o dia que eu mais temia. A secretária da direcção veio falar comigo para marcar uma reunião com o director. Ora, sabendo eu que o director não era uma pessoa nada formal e que falava connosco a qualquer altura, quando fosse necessário, vi logo do que se tratava: iam dar-me a guia de marcha. Bem, lá no fundo (bem no fundo) eu ainda tinha uma réstia de esperança, lá achava que podia haver uma meia-dúzia de horas para mim! Naquela altura eu já me sentia muito bem naquela casa, estava a adorar o meu trabalho (com muito sangue, suor e lágrimas pelo meio) e já me sentia parte da família! Não queria, de maneira nenhuma, ir embora... Mas aquilo que eu mais temia aconteceu, o director tinha-me chamado para dizer que a minha colega ia voltar, mais cedo do que o previsto (não ia gozar a licença toda) e estava na hora de eu me pôr a andar. Avisou-me das condições do fim do contrato e da carta que eu iria receber (tudo conforme a lei). E agradeceu-me. Sim, agradeceu-me pelo meu trabalho!

E pronto, dai a um tempo já estava, mais uma vez, sem emprego, mas desta feita com direito a protecção social (sobre as minhas aventuras com a Segurança Social e com o Centro de Emprego falo doutra vez, porque merecem um (ou mais) post à parte).

Queria ainda acrescentar que foi por um mero acaso que fui parar a esta empresa. Quando vi que o meu Estágio Profissional estava mal parado e que, ao contrário do que me tinha sido prometido no início, o mais provável era que não fosse integrada na empresa, fiquei com tanta raiva que comecei a fazer candidaturas espontâneas. Enviei, por carta (!), o meu currículo a meia-dúzia de empresas da zona, na minha área de formação, pensando de antemão que não serviria de nada. Só houve uma que me respondeu, dizendo que, naquele momento, não tinham qualquer vaga na minha área, mas que guardariam o meu CV para uma oportunidade futura. Daí a uns meses estavam a ligar-me para fazer a primeira substituição...

Há coisas do arco da velha, não há?! Cada vez mais me convenço que, nisto da procura de emprego, o que mais conta é aquele factor sobre o qual nós não temos qualquer controlo: a sorte!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Um mar de estágios que parece não ter fim!

Este fim-de-semana, li, no suplemento de emprego do jornal Expresso, uma pequena notícia que dava conta das empresas que mais tinham anunciado neste espaço (em papel e online) durante o mês de Julho. Foi elaborado um ranking  e em primeiro lugar aparecia uma empresa que, nas últimas semanas, encheu o site com ofertas de emprego. E isto seria um motivo de celebração caso todas as vagas anunciadas, que não são poucas, não fossem em regime de Estágio Profissional do IEFP, ou seja, patrocinados por dinheiros públicos. Eu já tinha deparado com estes anúncios no site porque, basicamente, estão todos mal categorizados e inseridos no mesmo sítio (porque colocá-los um a um na categoria certa dá muito trabalho). Para além disto, há duas semanas também já tinha reparado num anúncio de página inteira que publicitava estas 50 vagas, no suplemento acima referido.

Esta questão dos Estágios Profissionais constitui matéria suficiente para um post individual, mas aproveito já para adiantar que estes não constituem uma forma de incentivo à contratação de jovens, mas sim uma forma de possibilitar que grandes empresas contratem recém-licenciados com o largo contributo do estado. E desenganem-se se julgam que estes apenas são apoiados com parte do vencimento, porque também usufruem de muitas benesses em termos fiscais, nomeadamente nos pagamentos à Segurança Social. Portanto, fica muito mais barato para uma grande empresa contratar estagiários patrocinados pelo Estado do que integrar meros trabalhadores. 

Se fizerem um pequeno exercício de busca pelos principais sites de emprego, vão rapidamente verificar que a maioria das ofertas de "emprego" que existe é neste formato. As empresas querem apenas recrutar estagiários, inclusive grandes empresas que têm capacidade económica. E, depois, contratam um verdadeiro exército de estagiários, como é o caso desta! São cinquenta jovens que, durante um ano, vão dar o litro pela empresa, vão trabalhar como qualquer outro trabalhador, com os mesmos deveres, mas sem os mesmos direitos. Vão esforçar-se sempre com uma possível integração na empresa na mira, no entanto serão muito poucos aqueles que conseguirão, efectivamente, ser contratados no final do estágio. 

E assim apenas conseguimos empurrar com a barriga uma situação já muito grave, a do desemprego jovem. Porque estes estágios não vão resolver este problema, nem sequer vão ajudar, visto que estes batalhões de estagiários que hoje são "contratados", daqui a um ano estarão no olho da rua, com uma mão à frente e outra atrás. Estarão desempregados e sem qualquer tipo de protecção, visto que, como estagiários, não efectuaram descontos para a segurança social, não têm direito ao Subsídio de Desemprego. Ou seja, daqui a um ano estarão no mesmo sítio. Daqui a um ano vão estar novamente desempregados. Daqui a um ano vão novamente andar desesperados à procura de emprego. Daqui a um ano os empregos que vão encontrar são todos para estagiários. Daqui a um ano já não vão poder concorrer a estes porque já fizeram um estágio profissional. Daqui um ano vão estar novamente a ver navios... 

E isto é uma pescadinha de rabo na boca, é uma situação que parece não ter fim!