quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Respondi a um anúncio de emprego e obtive esta resposta


Nem sei o que vos diga acerca disto. Não sei que parte me chocou mais, se as ilegalidades e imoralidades que propõem, se a distinta lata que têm para fazer uma proposta destas. 

Primeiro, já chegámos ao ponto em que temos que pagar para trabalhar? Então e a minha licenciatura, o meu estágio, a minha experiência profissional e o meu mestrado quase concluído não contam para nada? (Friso que se tratava de uma posição na minha área de formação específica! ) Não sei se isto é ilegal, mas pelo menos imoral sei que é.

Depois vem a parte claramente ilegal: a falsa situação de recibos verdes, dado que há uma entidade patronal e um horário fixos. E a desculpa deles nem sequer se justifica, dado que qualquer contrato laboral tem um período de experiência, ao fim do qual qualquer uma das partes o pode denunciar sem prejuízo.

E, por fim, ainda querem fazer uma entrevista de grupo para dar a conhecer o projecto, ou seja, ver se convencem alguém a aceitar trabalhar nestas condições.

Eu, sinceramente, não sei onde é que este país vai parar. 



Para saberem o que é um falso recibo verde podem consultar este site. Desde 1 de Setembro está em vigor uma nova lei para tentar combater os falsos recibos verdes (esta aqui), que resultou da luta de um movimento de cidadãos. Para estarem informados sobre estes assuntos, nada como consultarem o site Ganhem Vergonha (já falei sobre ele aqui) ou segui-los no Facebook.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Então, o que é que os senhores do IEFP queriam?

Tal como eu, muitos outros desempregados licenciados foram convocados em massa para comparecer no centro de formação. E quando digo em massa não estou a exagerar, foram mesmo todos aqueles a quem eles conseguiram deitar a mão. Eles estavam a fazer sessões de esclarecimento destas de hora em hora, durante não sei quantos dias, a tentar atrair gente.

Então, era para uma formação de um mês na área da Economia e Gestão de empresas. Eu sou de Letras. Não tenho matemática desde o 9º ano. Estão a ver o filme, não estão? Não é que eu não esteja receptiva a formações em áreas diferentes, mas tem que ser algo que eu consiga acompanhar e que, de facto, me venha a ser útil. Para vocês terem uma ideia, aqui ficam alguns dos módulos: "Contabilidade Financeira", "Análise Financeira e Avaliação de Projectos", "Fundings (Fontes de Financiamento), "Criação de Negócio", "Autoconhecimento e gestão pessoal". E estes são apenas alguns. No entanto, tendo em conta que isto era uma formação de um mês, nenhum deles iria ser muito aprofundado. Ora, eu até podia ter ido, mas ia ser tipo um burro a olhar para um palácio e ia estar só de corpo presente (o meu cérebro tem uma capacidade para desligar nestas alturas que vocês nem sabem). Se eles dissessem que me iam ensinar a fazer contas de dividir, eu inscrevia-me logo, mas isto "não, obrigada".

Claro que naquela sala começou uma pequena discussão entre nós e a formadora porque toda a gente franziu o nariz àquilo. Pois, a senhora pôs-se para lá com a cantiga do "vocês estão sempre a reclamar porque não há formação para licenciados, mas agora que a temos vocês dizem que não". Pois é, nós somos uns pobres e mal agradecidos, é o que é. Estão a impingir-nos uma formação (aquela e só aquela) que não nos interessa e que, acima de tudo, não nos ajudará neste processo de procura de emprego. Aquela formação apenas seria útil a quem quisesse criar o próprio emprego, a quem pretendesse abrir uma empresa/um negócio, mas mesmo assim aquilo seriam apenas umas luzes, algo apenas para começar.

E é isto. É isto que o IEFP tem para oferecer aos licenciados deste país. Aqui no nosso Portugal, um licenciado não consegue, sequer, inscrever-se num outro tipo de curso (daqueles a sério) do tipo profissionalizante, que lhe permita adquirir novas competências e requalificar-se, se for esse o seu desejo ou única solução. Se eu quiser ser cozinheira vou ter que aprender sozinha porque não me posso inscrever num curso profissional, esses estão-me vedados porque eu tenho qualificações a mais! A sério, até para aprender nós temos qualificações a mais! Somos mesmo um país pequenino. E parece que a única coisa que eles têm para nos oferecer são cursos deste género, porque parece que o que pretendem é que nos tornemos empreendedores (seja lá o que isso for) e criemos os nossos próprios negócios. Isto num país que está como está. Com empresas a fechar diariamente. Mas o IEFP ainda incentiva isto. 

A quem possa interessar, fica aqui o link para uma reportagem sobre este assunto: Licenciados impedidos de fazer cursos técnicos, que tem apenas umas semanas.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A outra carta

Desde que fiquei desempregada, em Julho de 2012, fui contactada pelo IEFP por duas vezes, sendo que ambos os contactos ocorreram já depois de ter completado um ano de desemprego e numa altura em que já não recebia subsídio de desemprego. A primeira foi esta. A segunda foi há cerca de um mês. 

Mais uma vez, fiquei muito surpreendida quando recebi esta carta e mais fiquei com o conteúdo da mesma. Eles estavam a convocar-me para uma "Sessão Colectiva de Orientação". Primeiro, eu não fazia ideia do que aquilo era... Segundo, eu já não estava a receber subsídio, apenas me encontrava inscrita no Centro de Emprego, no entanto eles diziam que se eu não fosse tinha que dar uma justificação ou então anulavam "a minha inscrição para emprego". Mais, o objectivo da tal sessão era "dar continuidade ao seu plano de emprego", que eles diziam que eu tinha definido no Centro de Emprego. Eu não me lembrava de ter definido nada, mas está bem...

Entrei em contacto com uma amiga minha que é da área dos Recursos Humanos e que, inclusivamente, fez estágio no IEFP para ela me esclarecer estas e outras questões. Ela lá me explicou que o plano de emprego é definido unilateralmente e, basicamente, é o nome que se dá ao processo de quando alguém está desempregado e está à procura de emprego. Resumindo e concluindo, é para inglês ver porque, na realidade, não há qualquer plano. 

Primeiro decidi que não ia, mas depois mudei de ideias e resolvi comparecer. Mas até essa minha amiga estava a achar isto estranho, dado que não percebia o que é que eu, enquanto licenciada, iria fazer ao Centro de Formação (dado que o IEFP não consegue dar qualquer resposta a quem tem uma licenciatura, não tem formação disponível). Eu já estava a achar que ia ser uma daquelas belas formações em que eles nos ensinam a fazer currículos... Mais, a carta tinha uma parte bastante gira, onde dizia que aquela era  uma "intervenção considerada necessária ao seu percurso de inserção"... Inserção? Really? Eu sei que sou um bocado anti-social, mas também não era caso para tanto...

Lá fui. E o que se passava afinal? 

Aceitam-se apostas...

To be continued...

terça-feira, 5 de novembro de 2013

É a crise... de valores!

Na Sexta-feira, o programa da RTP Sexta às 9 emitiu uma reportagem sobre a questão do desemprego em Portugal. Muito resumidamente, eram apresentadas duas situações: por um lado, empresas que não conseguiam preencher todas as vagas de emprego que ofereciam, por outro, desempregados a quem eram oferecidos "salários" vergonhosos a troco de trabalho a tempo inteiro.

Fiquei muito curiosa quando vi a promoção do programa e, por isso, assisti à reportagem com toda a atenção. Ora bem, vamos à primeira parte: apareceu um empresário a queixar-se que não tinha ninguém que aceitasse os empregos que tinha para oferecer na sua fábrica (de calçado, julgo), porque preferiam ficar em casa a receber o subsídio de desemprego do que ir trabalhar pelo salário mínimo. Sim, é verdade que haverá muita gente por esse país fora que não quer, de facto, trabalhar, mas também é verdade que há gente que não pode, pura e simplesmente, dar-se ao luxo de sofrer mais qualquer corte no seu já parco rendimento mensal. Por alguma razão os beneficiários do subsídio de desemprego não são obrigados a aceitar propostas de trabalho em que o valor do salário é inferior ao do subsídio... Para quem não sabe, eu explico: o valor do subsídio corresponde, grosso modo, a 60% do salário que a pessoa auferia, logo, dado que ao ficar desempregada essa pessoa já viu ir à vida quase metade do seu rendimento, é normal que agora uma pequena diferença, por menor que esta possa parecer, que lhe seja apresentada seja quase incomportável (mesmo que sejam "só" cem euros...).

Mas aquilo que verdadeiramente me interessava naquela reportagem era a outra parte, dado que tenho vindo a acompanhar a denúncia de vários casos ilegais e/ou imorais na Internet. O que acontece é que há muitas empresas e empresários que se têm vindo a aproveitar do estado em que o país se encontra para contratar mão-de-obra quase a custo zero. Pois é verdade, se forem a uma entrevista de trabalho pode ser que vos ofereçam menos de 300 euros a troco de trabalho a tempo inteiro... E ainda vão ficar muito ofendidos se vocês reclamarem, porque se vocês não aceitarem haverá, com certeza, quem esteja desesperado ao ponto de o fazer...

E pronto, este é o país de merda em que vivemos. Desculpem, mas eu ando pelos cabelos com esta situação e tenho-me segurado para não desatar a dizer asneiras a torto e a direito e a mandar esta gente toda para a pata que os pôs. Mas não se preocupem, eu hei-de voltar a este assunto (fujam enquanto podem!) porque me fartei de estar calada.




terça-feira, 29 de outubro de 2013

Dicas para piorar um CV

Já dei por mim a olhar para o meu CV e pensar em maneiras de o tornar mais... pobre. Sim, retirar habilitações. 

Imaginemos que eu decido retirar de lá a licenciatura e fazer de conta que tenho apenas o 12º ano. Põe-se aqui um grande problema: como é que eu justifico uma ausência de quase 10 anos? Eu acabei o secundário em 2004... o que é que eu estive a fazer até agora? Sim, porque, para além dos anos que eu passei a estudar, há que justificar também os anos em que eu estive a trabalhar (trabalhos que requeriam uma licenciatura)... 

Eu já tenho algumas ideias:

               - estive em coma profundo;
               - queria ser freira e, por isso, estive num convento;
               - dediquei-me à agricultura;
               - ...

Se alguém tiver mais alguma ideia, faça o favor de dizer! Estou receptiva a tudo!

Agradecida.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Sick and Tired

Esta é uma expressão inglesa que significa estar farto, completamente farto. E é assim que eu estou. Farta. Completamente farta. Já não há palavras na língua portuguesa capazes de descrever o estado em que eu me encontro e aquilo que sinto. 

sábado, 26 de outubro de 2013

Para darem respostas destas, mais valia estarem calados. Isto não é propriamente neurocirurgia...

Especificidades da função?! Pelo amor da santa, eu candidatei-me a um lugar de vendedora numa loja de roupa! Pronto, era Boutique Assistant, mas ainda assim...

Outra vez os testes psicotécnicos

aqui disse uma vez que não percebo a utilidade destes testes em processos de recrutamento e volto a repeti-lo: não percebo e não consigo entender a sua utilidade. E ainda não consegui esclarecer a sua fiabilidade. Realizei-os o ano passado e voltei a realizá-los este ano, na mesma empresa de recrutamento e para uma função similar à que me havia candidatado antes.

Foi com alguma surpresa que recebi a convocatória para a realização destes testes de avaliação intelectual e comportamental, mas, apesar do que aconteceu no ano passado, resolvi arriscar e voltar a tentar. Os testes foram exactamente os mesmos, sem tirar nem pôr... E adivinhem lá: passei ou não? O que acham? Pois, como é óbvio, não passei. Acho. Não posso ter a certeza porque eles não nos dão os resultados.

Desta vez, ao contrário da primeira, os testes até me correram bem. Saí de lá convencida de que teria, pelo menos, passado à fase seguinte, a da entrevista. Os dias foram passando e aquilo que eu temia verificou-se: não fui chamada. Fiquei completamente passada e enviei um email à empresa de recrutamento a solicitar o envio dos resultados dos MEUS testes. Passaram-se 10 dias sem obter qualquer resposta. Voltei à carga, tornei a enviar um email, realçando o facto de não ter obtido QUALQUER resposta ao anterior, reiterando o meu pedido, desta vez realçado com negrito, sublinhado e letra vermelha. Nem dez minutos depois, o meu telemóvel tocou e era a própria da recrutadora para se desculpar pela falta de resposta e para dizer que não era política da empresa facultar os resultados dos testes aos candidatos. Voltei a insistir, dizendo que não compreendia por que não os revelavam, dado que, se eu faço testes, gostaria de, pelo menos, saber os seus resultados. E a senhora lá tratou de se proteger dizendo que em lado nenhum a empresa se comprometia a facultar os resultados dos mesmos, porque eles eram contratados por uma empresa para um serviço, e era essa emprega que lhes pagava e que não tinham sequer tempo para facultar os resultados a todos os candidatos. E continuou dizendo que parte da avaliação era subjectiva (?) e que seria difícil colocar isso numa folha de resultados para os candidatos. Pois então, muito obrigada (de nada) e até à próxima.

Portanto, para além de não ter ficado com o emprego (de nem sequer me terem dado essa hipótese), de ter ido gastar dinheiro em bilhetes de comboio e de metro e de ter estado a perder algumas horas do meu tempo a ser alvo de testes dos quais nem sequer sei o resultado, eu pergunto-me para que é que isto serviu, afinal?!...

E, com isto tudo, eu começo a achar que, de facto, devo ter um QI de 0,5... Acho que vou ter que estudar este assunto. E acho que tenho que começar por aqui:



terça-feira, 15 de outubro de 2013

Não poderia deixar de mencionar aqui esta notícia, que saiu a semana passada no site do jornal Público. E vem mesmo a propósito do que escrevi no post anterior. Resumindo, um sociólogo fez um estudo em que concluiu que os novos emigrantes portugueses em França (e falamos de trabalhadores qualificados) saíram dos país porque querem ser adultos...



segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A eterna insatisfação

Eu sei que devia estar contente. Eu sei. Mas não estou. Não consigo estar. Encontrei um trabalho, em part-time, em regime de prestação de serviços. Sim, eu sei, é melhor do que nada (como eu odeio esta expressão!). Mas, mesmo assim, não consigo estar feliz. Ainda não tenho o número de horas definitivo, é verdade, mas também sei que, mesmo a correr bem, não passará de um certo valor, isto, claro, em termos brutos, porque depois há que ir às Finanças e à Segurança Social saber o valor do estrago que eles me vão fazer...

Eu sinto-me num beco sem saída, parece que esta situação não vai mudar nunca e eu só posso escolher uma de duas opções: desempregada ou precária. Não vejo qualquer futuro para mim e isso deixa-me profundamente transtornada. Tento preencher a minha mente com mil e uma coisas diferentes, mas é impossível relaxar, o meu pensamento foge-me constantemente para o mesmo sítio e esse sítio é um beco sem saída. Sinto que não tenho direito a ter uma vida própria. Sinto que não tenho direito a ter a minha vida...

Durante as últimas semanas fui-me enchendo de esperança. De repente, e sem eu estar à espera, começaram a chegar as convocatórias para entrevistas, algumas delas vindas de anúncios aos quais eu já tinha respondido há meses! No entanto, finda essa pequena época encantatória, durante a qual eu me permiti sonhar bem alto, regressei ao mesmo vazio de sempre, com uma queda muito forte e muito bruta, apenas amortecida por um pequeno prémio de consolação que é este trabalho. É isso mesmo, tendo em conta o leque de possibilidades que eu tinha há uns dias, este parece mesmo apenas um pequeno prémio de consolação. Mas eu quero mais, muito mais. Eu preciso de muito mais, porque eu preciso, e mereço, uma vida a sério.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Ir ao engano

Cada vez me convenço mais de que anda meio mundo a tentar enganar outro meio. E isso vê-se nos nomes que dão às profissões nos anúncios de emprego. Por exemplo, aquilo que há uns anos se chamava "Vendedor Porta a Porta" neste momento pode ter várias designações, tais como "Técnico Comercial Door to Door", "Vendedor D2D" ou "Comercial D2D". Depois venham cá dizer que isto não é para enganar as pessoas... Mas esta gente terá noção do ridículo? Eles acham mesmo que as pessoas são assim tão tontas e que não acabam por descobrir o que isto realmente é?!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Estará o desemprego mesmo a baixar?

Os anúncios de emprego com que vou deparando, bem como as notícias que todos os dias ouço ou leio, deixam-me muito poucas dúvidas: cada vez mais caminhamos para uma situação de escravatura dos tempos modernos. Como é óbvio, para tal contribui, entre outras coisas, o facto de proliferarem os estágios não remunerados, bem como a degradação das condições de trabalho e do valor dos salários.

Foi isso mesmo que hoje li num texto de opinião muito interessante. A propósito dos números do desemprego, que parecem estar a baixar, diz o autor (um jornalista) que tal não reflecte necessariamente uma melhoria nas condições de vida, mas sim um medo generalizado que faz com que as pessoas aceitem qualquer coisa a troco de quase nada:

"É possível que a taxa de desemprego continue a descer, já que os salários estão a sofrer uma forte degradação. Só que isso, ao contrário do que pretendem os neoliberais, não representa uma melhoria das condições de vida das pessoas ou da economia. É evidente que, se os salários continuarem a descer e os despedimentos forem cada vez mais fáceis, haverá cada vez mais empregadores dispostos a oferecer trabalho por baixos salários. A questão é a qualidade desses postos de trabalho. Portugal já tem a vergonha de ser um país onde ter um emprego não representa uma protecção contra a miséria e o que tudo indica é que o número de empregados pobres vai continuar a aumentar. O que pode coincidir com uma descida da taxa de desemprego, mas está longe de ser óptimo. Se o Governo levasse a sua avante e o salário mínimo fosse eliminado (um sonho dos neoliberais), o desemprego provavelmente desceria de forma radical. Seria possível contratar trabalhadores em troca de um prato de sopa ou de um par de sapatos e haveria suficientes “empregos” para todos e muitos desesperados prontos a aceitá-los. Afinal, nas sociedades esclavagistas não havia escravos desempregados. A desvalorização do trabalho, as descidas de salários, os despedimentos, o aumento de impostos e o empobrecimento geral da sociedade têm este objectivo: reduzir os salários até ao ponto em que os trabalhadores se vejam reduzidos a uma quase escravidão. Entretanto, as televisões ir-nos-ão dando as boas notícias do Eurostat!"

A propósito dos estágios não remunerados, o jornalista, que já foi um seu defensor, agora critica-os, por serem apenas uma maneira cómoda de obter mão de obra de forma gratuita, em vez de ser um período de formação, como seria expectável:

"Tratou-se sempre de situações onde tinha a absoluta convicção de que a formação que estava a dar aos estagiários era profissionalmente útil, pessoalmente enriquecedora e com um valor reconhecido pelo mercado. E parecia-me aceitável que esses estágios não fossem remunerados porque acreditava que aquilo que dávamos aos nossos formandos valia muito mais que um ordenado. Mas a verdade é que é cada vez mais raro que um estágio não remunerado seja concebido e executado como uma acção de formação séria e, na esmagadora maioria dos casos, é apenas um eufemismo para uma exploração sem-vergonha de trabalhadores jovens em busca do primeiro emprego. Muitos dos não-desempregados-não-empregados que não aparecem nas estatísticas de desemprego são estagiários explorados por empresas sem escrúpulos. Hoje penso que os estágios não remunerados se tornaram puras ferramentas de exploração e, por isso, devem acabar. Um estagiário merece pelo menos o salário mínimo."

Acho que este texto diz bastante sobre o estado a que este país chegou. Quem quiser pode lê-lo integralmente: A escravatura como forma de combater o desemprego?, um texto do jornalista José Vítor Malheiros, publicado no site Clube de Jornalistas.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Mais um NÃO.

No final da semana passada recebi o email por que tanto ansiava. Tinham-me prometido uma resposta, fosse ela positiva ou negativa. Como podem perceber pelo título, foi mais um NÃO

Não passou à próxima fase.

Na semana anterior, tinha concorrido a uma vaga que tinha sido anunciada nesse mesmo dia. Qual não é o meu espanto quando, ao final do dia, me ligam a marcar entrevista para o dia seguinte! Em Lisboa! Bem, lá fui eu, toda contente, com esperança. Achei que era desta que a sorte me ia bater à porta! Estava tudo a meu favor: vi aquele anúncio e, apesar de preencher a maioria dos requisitos que eles exigiam, estive mesmo quase para não concorrer, pois achava que não teria hipótese; concorri e, no mesmo dia, convocaram-me para uma entrevista! Só podia correr bem! 

Em primeiro lugar, fui apanhar um bocadinho de ar e tive a oportunidade de andar de comboio, que é coisa que eu adoro, mas, tirando isso, mais valia ter ficado em casa. Sempre tinha poupado dinheiro! A senhora, muito simpática e prestável (diga-se de passagem), entrevistou duas pessoas ao mesmo tempo (eu e outra senhora, que por acaso tinha mais de 15 anos de experiência num posto daqueles) e eu fiquei logo muito desconfortável. Para além disso, não me perguntou nada de especial, aquilo que lá fui fazer poderia ter sido feito pelo telefone ou por email, até porque esta era apenas a 1ª de várias fases do processo de recrutamento. 

Portanto, com base no meu Curriculum Vitae, e na opinião que a técnica formou a meu respeito, ela e a entidade para a qual estava a contratar iriam decidir se eu passaria à 2ª fase que era, nem mais nem menos, do aquela dos testes psicotécnicos maravilhosos de que eu já falei aqui. Por este prisma, até foi melhor terem-me dito já que não, pois assim poupei o dinheiro de mais uma viagem de ida e volta a Lisboa em vão. Sim, porque é certo e sabido que eu não passo nesses testes...

Mas, de qualquer forma, fiquei muito triste. Era um área diferente daquela a que estou habituada, mas acho que até poderia fazer um bom trabalho se me tivessem dado sequer uma hipótese. Era para uma boa empresa e tinha um bom salário! 

Por isso, nos últimos dias eu tenho andado com uma neura descomunal!...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Sonhar pequenino

Se há coisa que sempre me incomodou neste país, ou melhor, nas gentes que habitam este país, é a incapacidade de sonhar. Mas de sonhar mesmo! Parece que os nossos sonhos têm que ser proporcionais ao tamanho do país: pequeninos, pequeninos. Se é para sonhar, que seja em grande! Se já me tiraram tudo, por favor, não me tirem a capacidade de sonhar!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

O regresso às aulas

Setembro é o mês do regresso às aulas e, para mim, também o vai ser. Chegou a parte de leão do mestrado: investigar e escrever a tese. Pois bem, vai ser uma tarefa complicada visto que eu ainda não escolhi o tema e tenho prazos a cumprir. Mas a verdade é que não me consigo concentrar nisso plenamente, visto que a minha cabeça está sempre a fugir para outros assuntos. 

Esta é uma aventura que me entusiasma, bastante até, mas não consigo deixar de pensar na minha situação enquanto desempregada. Enquanto fazia os trabalhos, o ano passado, aconteceu-me, várias vezes, ficar pura e simplesmente incapaz de avançar, porque ficava completamente obcecada com a procura de emprego e com a falta de respostas. Havia dias em que não me conseguia concentrar naquilo que tinha para fazer. 

Por isso, enquanto nada mais acontece, resta-me concentrar no estudo, na investigação e na escrita da tese. Mas é claro que a minha cabeça vai andar constantemente a fugir para outros lados...

domingo, 1 de setembro de 2013

Porque isto é tudo uma questão de sorte. E nada mais!

Durante algum tempo, 3 anos para ser mais precisa, achei-me uma pessoa cheia de sorte. Acabei o curso (quatro anos mais um de estágio, não remunerado diga-se de passagem) numa área daquelas que "não têm saídas", como se costuma dizer, e pouco tempo depois arranjei emprego na minha área. Tudo bem, foi um Estágio Profissional, mas ainda assim... 

Quando acabou o estágio, eu fui posta a andar, mas voltei a encontrar emprego na minha área, mas desta vez bem melhor do que o outro. A contrapartida? Era uma substituição. Estive a substituir uma colega que esteve de baixa prolongada durante largos meses. Entretanto ela regressou e eu lá fui à minha vida. Estive uns meses desempregada, sem direito a nada porque não chegava a ter um ano de descontos para a Segurança Social, graças aos moldes do maldito Estágio Profissional. Mas esta situação não durou muito tempo, é verdade, porque uns meses depois voltei a receber um telefonema da empresa onde tinha estado a trabalhar; estavam a chamar-me de novo porque uma outra colega estava no início de uma gravidez de alto risco e iria ficar de baixa durante muito tempo (se a gravidez corresse bem, claro está). E aí fui eu para mais uma substituição. A verdade é que nenhum destes contratos (a termo incerto) era muito seguro! Isto porque, de mês a mês, eu sentia o coração cair-me aos pés, pois legalmente as baixas são renovadas com periodicidade mensal (é o tempo máximo permitido por lei). 

Nesta segunda substituição, tudo correu bem com a gravidez da minha colega, ela teve a sua bebé e eu continuei a substituí-la durante a licença de maternidade. Até que chegou o dia que eu mais temia. A secretária da direcção veio falar comigo para marcar uma reunião com o director. Ora, sabendo eu que o director não era uma pessoa nada formal e que falava connosco a qualquer altura, quando fosse necessário, vi logo do que se tratava: iam dar-me a guia de marcha. Bem, lá no fundo (bem no fundo) eu ainda tinha uma réstia de esperança, lá achava que podia haver uma meia-dúzia de horas para mim! Naquela altura eu já me sentia muito bem naquela casa, estava a adorar o meu trabalho (com muito sangue, suor e lágrimas pelo meio) e já me sentia parte da família! Não queria, de maneira nenhuma, ir embora... Mas aquilo que eu mais temia aconteceu, o director tinha-me chamado para dizer que a minha colega ia voltar, mais cedo do que o previsto (não ia gozar a licença toda) e estava na hora de eu me pôr a andar. Avisou-me das condições do fim do contrato e da carta que eu iria receber (tudo conforme a lei). E agradeceu-me. Sim, agradeceu-me pelo meu trabalho!

E pronto, dai a um tempo já estava, mais uma vez, sem emprego, mas desta feita com direito a protecção social (sobre as minhas aventuras com a Segurança Social e com o Centro de Emprego falo doutra vez, porque merecem um (ou mais) post à parte).

Queria ainda acrescentar que foi por um mero acaso que fui parar a esta empresa. Quando vi que o meu Estágio Profissional estava mal parado e que, ao contrário do que me tinha sido prometido no início, o mais provável era que não fosse integrada na empresa, fiquei com tanta raiva que comecei a fazer candidaturas espontâneas. Enviei, por carta (!), o meu currículo a meia-dúzia de empresas da zona, na minha área de formação, pensando de antemão que não serviria de nada. Só houve uma que me respondeu, dizendo que, naquele momento, não tinham qualquer vaga na minha área, mas que guardariam o meu CV para uma oportunidade futura. Daí a uns meses estavam a ligar-me para fazer a primeira substituição...

Há coisas do arco da velha, não há?! Cada vez mais me convenço que, nisto da procura de emprego, o que mais conta é aquele factor sobre o qual nós não temos qualquer controlo: a sorte!

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Quem espera também desespera...

Acho que não custava nada às empresas dizer às pessoas se foram ou não seleccionadas para o lugar. É que esta espera mata-nos. Ficamos sem saber se já escolheram alguém, se o lugar já foi preenchido ou se ainda estão à procura. É que pelo menos ficávamos a saber que não tínhamos ficado e podíamos partir para outra, ou pelo menos deixar de pensar no assunto! Mas não. Esperas e ainda desesperas!

sábado, 24 de agosto de 2013

Disponibilidade total

Hoje em dia, parece que não há anúncio em que não se exija disponibilidade total como característica essencial por parte do candidato. Pois claro. Meus senhores e minhas senhoras, das 9 às 5 eu tenho disponibilidade total... para desempenhar o meu trabalho. Fora isso, acho que já não é nada convosco.

Desde quando é que passou a ser algo comum exigir a quem procura trabalho, a um potencial candidato, que esteja sempre disponível seja para o que for? Não sei porquê, mas isto faz-me logo pensar em actividades ilegais e/ou ilícitas. Parece que chegámos a um ponto em que é permitido exigir tudo e, ao mesmo tempo, não dar nada em troca. E quem não quiser tem bom remédio...

Mais um sinal dos tempos e da crise... de valores!...

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A praga dos Call Centers

Nos últimos tempos, tenho concorrido a vagas nas mais diversas áreas. No entanto, por mais tempo que passe há um sítio no qual não me vejo a trabalhar: um call center. Para além de, a nível pessoal, não ter qualquer competência para vender algo a alguém nos moldes em que um trabalho destes exige, as condições de trabalho nestes locais sempre deixaram muito a desejar. Li agora um texto muito interessante exactamente sobre isso, nomeadamente sobre o Call Center da PT em Coimbra. Começando nos contratos de trabalho de 15 (sim, leram bem, quinze) dias, passando pela pressão psicológica sob os trabalhadores, até às indicações que lhes dão para enganar os potenciais clientes, parece que tudo é permitido quando o objectivo é o lucro máximo. Depois de ler este texto, encontrei outro, no mesmo site, sobre o trabalho em Call Centers em Portugal que, ao que parece, está em clara expansão. Parece que aqui eles conseguem encontrar aquilo de que precisam: condições tecnológicas, mão-de-obra barata e fluente em línguas! Se se derem ao trabalho de fazer uma pesquisa nos sites de emprego verão que a grande maioria dos empregos na categorias de línguas são, na verdade, para este tipo de serviço, embora possam ter vários nomes (operador de call center, helpdesk, Costumer Service, etc...). 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Regulamentação dos anúncios de emprego - Petição Pública

No seguimento do post anterior, gostaria de aproveitar este espaço (que, provavelmente, não é lido por ninguém) para divulgar a plataforma Ganhem Vergonha, que se dedica, justamente, a denunciar anúncios de emprego ilícitos, fraudulentos e imorais. Para além desta divulgação, que já foi objecto de reportagem jornalística, os seus autores foram mais além e criaram uma Petição Pública, para forçar os nossos governantes a repensar as regras do jogo, ou seja, a regulamentar o mercado dos anúncios de emprego.

Já ouvi muitos aplausos a esta iniciativa, já muita gente assinou a petição e/ou a partilhou (eu incluída), mas também já ouvi críticas, que se prendem com a impossibilidade de fazer uma fiscalização constante e detalhada aos vários sites de emprego. A estes eu respondo dizendo, apenas, que esta legislação teria, sobretudo, uma FUNÇÃO DISSUASORA. Dou um exemplo. É impossível apanhar todas as pessoas que passam sinais vermelhos no trânsito, mas isso não significa que se acabe com essa proibição! Ora, esta tem, por isso mesmo, e acima de tudo, a função de dissuadir a acção, porque as pessoas sabem que é ilegal e que se forem apanhadas serão punidas. Com a questão dos anúncios de emprego seria a mesma coisa. É óbvio que os anunciantes sem escrúpulos iriam continuar a tentar publicar os seus anúncios, mas teriam que o fazer de outra forma, utilizando sites manhosos que não seguissem a lei. E, ao fazê-lo, correriam sempre o risco de serem apanhados e punidos. HAVERIA ESSA POSSIBILIDADE. Acima de tudo, o que esta legislação poderia fazer, efectivamente, era fazer com que se estabelecessem claramente quais são os sites de emprego fiáveis e fidedignos, que cumprem a lei e não deixam publicar qualquer monte de lixo. E aí sim, isto poderia começar a mudar!

Aqui fica o link para a Petição Pública. Basta introduzir os seus dados (Nome, BI e email), depois é só validar o email que lhe será enviado para o endereço que indicou (caso não o faça a sua assinatura não será contabilizada!).

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Os anúncios de emprego

Os anúncios de emprego em Portugal são um bicho estranho. Não havendo legislação que os regule, seria de esperar que imperasse o bem senso, mas parece-me que este não abunda muito por estes lados. Vê-se de tudo um pouco: empregadores anónimos, condições de trabalho absurdas, salários irreais (quando referidos) e a exigência de tudo e mais um par de botas. E seria de pensar que isto seria apenas em sítios manhosos, como lhes costumo chamar, mas não, estes anúncios aparecem nos sites mais populares de oferta/procura de emprego, inclusivamente num site governamental, pago, portanto, com dinheiros públicos. Falo, obviamente do sítio online do IEFP, do qual já falei brevemente aqui. Na verdade, aqui existem muito poucas ofertas publicadas e as que existem são, muitas vezes, se não ilegais, muitas vezes imorais. Não constitui surpresa nenhuma encontrar por lá anúncios em que se pedem licenciados (ou mestres), como arquitectos, engenheiros ou professores, a tempo inteiro pelo salário mínimo (485 euros, uma fortuna). E eu questiono-me sempre se, antes de qualquer anúncio ser lá publicado, não haverá por lá uma alminha com a quarta classe mal tirada, que saiba ler, e que olhe para aquilo com olhos de ver e não permita a publicação!? Daqui as pessoas depois retiram as suas conclusões: se através de um organismo público podemos publicar anúncios destes, sem qualquer proibição ou penalização, então noutros lugares podemos fazer muito pior! E é o que fazem...

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Apoio

Quando estamos à procura da emprego, há uma coisa que é fundamental: o apoio de quem nos rodeia. E isso costuma ser raro. As pessoas nem sempre o fazem de propósito, mas a verdade é que, com meia dúzia de palavras, com uma atitude ou, pura e simplesmente, pelo facto de não se interessarem, podem desmoralizar por completo quem está desempregado. Destroem-lhe aquilo que, basicamente, é a única coisa certa, aquilo a que se podem agarrar nestas alturas: a esperança. 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O que eu fiz durante este ano de desemprego

Quando, há um ano, soube que ia ficar desempregada, achei que deveria arranjar algo com que me entreter enquanto não encontrasse trabalho. Apesar de no início acreditar que não iria ficar naquela situação durante muito tempo, também sabia que precisaria de fazer algo para me ocupar.

Pois, eu podia ter-me dedicado a algo "simples" como o tricot, mas não. Achei que precisava de um desafio. Foi então que resolvi fazer algo que já desejava há algum tempo. Resolvi candidatar-me ao mestrado. Sim, eu ainda sou do tempo em que não havia produção de mestres em série. Fiz a candidatura sem grandes expectativas, pois até achava que não iria ficar colocada. Surpresa das surpresas! Fui aceite.

Em Setembro começou, então, uma nova etapa escolar na minha vida. Foi um ano lectivo muito suado. Os neurónios fartaram-se de trabalhar e quase deram o berro, mas a recompensa foi muito gratificante! Gostei imenso dos professores e de tudo o que aprendi!

Agora, se me vierem perguntar se este mestrado me abre novas possibilidades de emprego, a minha resposta vai ser um não redondo. Sempre o encarei como uma forma de valorização e realização pessoal, de aprender mais sobre uma das minhas áreas de interesse, mas, sobretudo, como UMA FORMA DE MANTER A MINHA SANIDADE MENTAL. Sim, porque estar desempregada não é como estar de férias... Custa muito. E, nesse aspecto, tive sorte. Não pirei de vez durante este ano. Esta é se calhar a parte que mais vezes é descurada ou negligenciada quando falamos de desemprego...

Bem, apesar de ter tido o mestrado para me "entreter", a minha principal preocupação sempre foi a de encontrar um emprego. Continuei sempre a procurar e sabia perfeitamente que, se tivesse que escolher, a minha prioridade teria sempre que ser o trabalho! 

Terminei a parte curricular, agora falta a parte da tese... Mas eu continuo sempre a dizer que o que eu queria mesmo, mesmo, neste momento, era trabalhar! A redacção da tese, essa, se não for compatível com um trabalho, não sendo de todo esquecida, terá que ser adiada, ou ser, pelo menos, feita apenas a "tempo parcial", à medida das possibilidades.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A carta

Li por aí uma notícia que dava conta da diminuição do número de desempregados e lembrei-me, a propósito disso, de uma carta que recebi do Centro de Emprego no passado mês de Julho. Então, a missiva rezava assim:

"Na sequência da sua inscrição para emprego, informamos que ainda não nos foi possível satisfazer o seu pedido de emprego. Se continuar interessado, queira devolver-nos este postal devidamente preenchido, no prazo de 10 dias a contar da data do correio. Se não responder procederemos à anulação da sua inscrição."

Durante os meses em que fui agraciada com a fortuna a que eles chamam de subsídio de desemprego, nunca me convocaram para nadica de nada. Só tinha que comparecer na Segurança Social, de 15 em 15 dias, como uma criminosa, para dizer que sim que ainda cá estava e que não tinha fugido com a fortuna que eles me "davam". Nunca me chamaram para verificar se eu estava a cumprir a minha parte (procura de emprego), nem sequer para me ajudar a encontrar emprego (estabelecer um plano, dar dicas, conselhos, etc...). Nem uma formação me propuseram!

De repente, queriam saber se ainda me podiam "ajudar"... Eu sei bem o que é que eles queriam! Queriam limpar as listas de desempregados para ficar bem nas estatísticas! Comigo é que não contam para isso. Fiz questão de preencher a dita carta e de a pôr no correio logo a seguir para que eles saibam que continua a precisar da "ajuda" que eles prestam para procurar um emprego. Não se livram de mim assim tão facilmente...



terça-feira, 6 de agosto de 2013

Quem espera também desespera!

Quando andamos à procura de emprego, há dias melhores e dias piores. Há, acima de tudo, uma rotina que se instala, que é a da procura nos sites de emprego. Todos os dias, mais do que uma vez, faço uma ronda pelos sites principais (nada de sítios manhosos) e vejo anúncios para as mais variadas áreas. Concorro a vários. No entanto, à medida que o tempo vai passando e não obtemos qualquer resposta, que é o que custa mais (mesmo as respostas negativas não doem tanto como a ausência de um feedback), vamos entrando em desespero. É nestas alturas que a esperança e boa disposição que fazemos por ter se desvanecem... Já perdi a conta ao número de currículos que enviei! E o que me magoa mesmo é ter concorrido a algumas vagas na minha área, para as quais tenho formação e alguma experiência, e não ter sido, sequer, considerada para uma entrevista... 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Um mar de estágios que parece não ter fim!

Este fim-de-semana, li, no suplemento de emprego do jornal Expresso, uma pequena notícia que dava conta das empresas que mais tinham anunciado neste espaço (em papel e online) durante o mês de Julho. Foi elaborado um ranking  e em primeiro lugar aparecia uma empresa que, nas últimas semanas, encheu o site com ofertas de emprego. E isto seria um motivo de celebração caso todas as vagas anunciadas, que não são poucas, não fossem em regime de Estágio Profissional do IEFP, ou seja, patrocinados por dinheiros públicos. Eu já tinha deparado com estes anúncios no site porque, basicamente, estão todos mal categorizados e inseridos no mesmo sítio (porque colocá-los um a um na categoria certa dá muito trabalho). Para além disto, há duas semanas também já tinha reparado num anúncio de página inteira que publicitava estas 50 vagas, no suplemento acima referido.

Esta questão dos Estágios Profissionais constitui matéria suficiente para um post individual, mas aproveito já para adiantar que estes não constituem uma forma de incentivo à contratação de jovens, mas sim uma forma de possibilitar que grandes empresas contratem recém-licenciados com o largo contributo do estado. E desenganem-se se julgam que estes apenas são apoiados com parte do vencimento, porque também usufruem de muitas benesses em termos fiscais, nomeadamente nos pagamentos à Segurança Social. Portanto, fica muito mais barato para uma grande empresa contratar estagiários patrocinados pelo Estado do que integrar meros trabalhadores. 

Se fizerem um pequeno exercício de busca pelos principais sites de emprego, vão rapidamente verificar que a maioria das ofertas de "emprego" que existe é neste formato. As empresas querem apenas recrutar estagiários, inclusive grandes empresas que têm capacidade económica. E, depois, contratam um verdadeiro exército de estagiários, como é o caso desta! São cinquenta jovens que, durante um ano, vão dar o litro pela empresa, vão trabalhar como qualquer outro trabalhador, com os mesmos deveres, mas sem os mesmos direitos. Vão esforçar-se sempre com uma possível integração na empresa na mira, no entanto serão muito poucos aqueles que conseguirão, efectivamente, ser contratados no final do estágio. 

E assim apenas conseguimos empurrar com a barriga uma situação já muito grave, a do desemprego jovem. Porque estes estágios não vão resolver este problema, nem sequer vão ajudar, visto que estes batalhões de estagiários que hoje são "contratados", daqui a um ano estarão no olho da rua, com uma mão à frente e outra atrás. Estarão desempregados e sem qualquer tipo de protecção, visto que, como estagiários, não efectuaram descontos para a segurança social, não têm direito ao Subsídio de Desemprego. Ou seja, daqui a um ano estarão no mesmo sítio. Daqui a um ano vão estar novamente desempregados. Daqui a um ano vão novamente andar desesperados à procura de emprego. Daqui a um ano os empregos que vão encontrar são todos para estagiários. Daqui a um ano já não vão poder concorrer a estes porque já fizeram um estágio profissional. Daqui um ano vão estar novamente a ver navios... 

E isto é uma pescadinha de rabo na boca, é uma situação que parece não ter fim!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Questões que me inquietam

Eu só gostava mesmo de perceber por que é que eu nunca sou chamada para entrevistas. A sério. É algo que está para além do meu entendimento, até porque, nas últimas semanas, tenho concorrido a posições na minha área de formação e para as quais tenho competências e até alguma experiência. Por isso, não ser sequer considerada para uma entrevista deixa-me doida... Será que se dão ao trabalho de ler os CVs todos? Eu começo a achar que os mandam ao ar e aqueles que caírem em cima da mesa é que são os escolhidos... É que uma pessoa espera e desespera! Estou farta, farta, farta.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

As empresas de recrutamento

Não compreendo esta nova moda das empresas de recrutamento. Tanto escolhem padeiros como médicos. E eu pergunto: terão realmente competências para recrutar pessoas de áreas tão diversas e tão diferentes? Será possível? Não seria bem mais proveitoso as empresas efectuarem elas mesmas os processos de selecção dos seus trabalhadores? Afinal, são elas que melhor conhecem a função e as características que o "trabalhador ideal" terá que ter! Mas não. Hoje em dia, as empresas com alguma dimensão relegam esta tarefa a estas novas empresas que se dedicam em exclusivo a esta arte que é recrutar trabalhadores.

Há um ano fui chamada por uma delas, mas não foi para uma entrevista. Foi, sim, para realizar um conjunto de testes que diriam a essa gente se eu era uma pessoa inteligente e se poderia, então, passar à fase seguinte, a da entrevista. Pois bem, eu devo ser burra que nem uma porta, um calhau com olhos, mesmo, porque nunca ninguém me voltou a chamar. 

Aqueles são, basicamente, testes de lógica, que se assemelham aos que fazemos na escola quando queremos saber por que área enveredar, qual a profissão que queremos ter quando formos "grandes"... E, tal como aqueles que eu fiz no 9º ano, acho que estes também não servem para nada! 

Entre encontrar triângulos num mar de círculos, ver para que lado vão virar os quadrados ou escolher entre verde-escarreta e castanho-cocó, ainda gostava que alguém me explicasse em que é que isto diz se eu sou ou não competente para um determinado emprego! 

A verdade é que eu tenho a memória de um peixe e a capacidade de concentração de uma criança de quatro anos para estas coisas! Depois de meia-hora o meu cérebro já tinha desligado. Aquilo para mim é  um aborrecimento de morte! Já no 9º ano o eram...

Pronto, acho que já perceberam por que razão eu continuo desempregada...

terça-feira, 30 de julho de 2013

A culpa será só da crise?

Todos os dias somos bombardeados com notícias sobre a malfadada crise. Ela está por toda a parte e afecta todos. É isso que ouvimos, vemos e lemos todos os dias. Se é verdade que ela anda por aí, também é verdade que há muita gente que se aproveita dela para obter mão-de-obra a baixo custo. É a desculpa ideal! Isto tem-se verificado quer na mão-de-obra não qualificada, onde os salários já por si costumam ser bastante baixos, como o demonstra esta notícia, quer no trabalho dito qualificado. Hoje em dia tornou-se absolutamente normal, e até banal, querer recrutar licenciados pagando-lhes o salário mínimo! Há muitas ofertas deste género, atrever-me-ia a dizer que estas proliferam como cogumelos! E, como é óbvio, pessoas sem escrúpulos continuarão a publicá-las porque haverá sempre alguém desesperado ao ponto de as aceitar, sob aquela lema tão característico, tão nosso, do "sempre é melhor que nada". E desengane-se quem pensa que estas ofertas são apenas publicadas em sites obscuros e manhosos. Não! São inclusivamente feitas no site do IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional), um espaço de um organismo público! Acho inaceitável que estas empresas sejam sequer autorizadas a publicar lá estes anúncios, que estes não sejam minuciosamente verificados e as empresas que o fazem punidas. Esta é uma situação que tem vindo a ser divulgada pela plataforma Ganhem Vergonha, onde são denunciados muitos anúncios fraudulentos que, não sendo todos ilegais, são com certeza todos imorais! (Estes casos em que se pretendem contratar Engenheiros e Arquitectos pelo salário mínimo têm aparecido na  página no facebook.)

Respondendo à pergunta que coloquei no título: sim, a culpa é da crise, mas é da CRISE DE VALORES!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Procurar trabalho transformou-se num desporto difícil...

Hoje em dia quase que é preciso fazer o pino só para uma pessoa se conseguir candidatar a um emprego. Lá está, depois, para conseguir o dito, é necessário dar três cambalhotas e fazer dois mortais encarpados à retaguarda. E aí sim, poderemos ser considerados para o tal emprego...

Fui a uma entrevista de emprego!

Faz hoje uma semana, fui a uma entrevista de emprego. Há já tanto tempo que não ia a uma que acho que já nem sabia como é que se fazia... 

O telefonema desta empresa deixou-me muito surpreendida, visto que enviei para lá o meu Curriculum Vitae tal como o fiz para muitas outras do mesmo género, das quais nunca obtive qualquer resposta. Desta esperava o mesmo. Mas o telefonema chegou e a entrevista foi marcada.

Preparei o meu CV, juntei os meus certificados e lá fui eu, vestida o mais profissional possível, para a dita entrevista. Do meu ponto de vista, correu bem. Pelo menos, dentro daquilo que se pode esperar de uma situação que é forçada e em que ambas as partes estão com um certo nervosismo. O normal para uma situação destas...

Saí de lá muito contente e esperançosa. Apesar de não revelar estes pensamentos em voz alta, a minha cabeça sonhadora começou a fazer logo muitos planos, a imaginar muitas hipóteses. No entanto, à medida que o tempo foi passando e a resposta positiva que eu esperava não chegava, a minha esperança começou a esmorecer, a fugir-me por entre os dedos. Uma semana depois já não tenho qualquer esperança de ser chamada. E é uma pena, porque acho que poderia fazer um bom trabalho.

Por isso, nesta nova semana, resta-me recomeçar tudo de novo.

Bom dia e boa semana!  

domingo, 28 de julho de 2013

Manifesto

Então, o que é que eu pretendo com este blog? Esta é, com certeza, a questão que passa pela cabeça dos meus muitos milhares de leitores diários que, desde ontem, não param de me questionar sobre o assunto!

Bem, este espaço nasceu da necessidade de partilhar alguns pensamentos, de fazer algumas reflexões e, também, de fazer algumas birras. Pretendo aqui abordar questões relacionadas com o desemprego e com a procura de trabalho, mas também coisas relacionadas com o mundo laboral em geral e com a situação do país (no que diz respeito a esta temática). 

Portanto, se calhar será mais fácil dizer o que é que este espaço não será: não será, definitivamente, um espaço de partilha de truques e dicas de como sobreviver com menos dinheiro; não vou aqui publicitar maneiras de fazerem compras com descontos e cupões; nem vos vou ensinar a fazer Currículos ou dizer como se devem comportar em entrevistas. Pelo menos não é essa a minha intenção. 

Claro que tudo isto pode mudar de um momento para outro, porque aqui apenas me rejo pelas minhas regras e, sobretudo, pela minha vontade e pela minha consciência. 

Vou tentar, pelo menos, não tornar este espaço no meu muro das lamentações...

Por isso, sejam todos muito bem-vindos a este espaço e estejam à vontade para comentar, questionar, chorar ou rir comigo...

sábado, 27 de julho de 2013

Um ano

Estou desempregada há cerca de um ano. Já perdi a conta ao número de currículos que enviei, mas consigo apontar com exactidão matemática o número de vezes em que obtive resposta. Se, durante os primeiros tempos, tentei manter-me sempre positiva e com esperança, devo dizer que nos últimos tempos é o desespero que tem tomado conta de mim. É muito difícil manter manter qualquer tipo de esperança quando à nossa volta parece que tudo desmorona. Mas, porque é preciso manter a sanidade mental no meio disto tudo, lá vamos tentando encontrar maneiras de manter a mente ocupada. Por isso, hoje, dia 27 de Julho de 2013 nasce o blog A Desempregada Marada.