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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Coincidências

Estava aqui a ler as notícias e cheguei a uma conclusão absolutamente brilhante: uns tempos antes de saírem aquelas estatísticas que dão conta do decréscimo dos números do desemprego, eu recebo uma cartinha destas. Coincidência? Não me parece. Acho que é uma óptima forma de limparem as listas do desemprego, porque há muita gente que já nem se dá ao trabalho de responder. Eu quase que me ia esquecendo, mas lá fiz a cruzinha* no sítio certo e pus a carta no correio. Só espero que não se tenha "extraviado" pelo caminho...

Notícia do jornal Público

*Por acaso, tenho uma certa vontade de, em vez de uma cruz, desenhar um pirete no quadradinho, mas tenho contido esse meu impulso.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Então, o que é que os senhores do IEFP queriam?

Tal como eu, muitos outros desempregados licenciados foram convocados em massa para comparecer no centro de formação. E quando digo em massa não estou a exagerar, foram mesmo todos aqueles a quem eles conseguiram deitar a mão. Eles estavam a fazer sessões de esclarecimento destas de hora em hora, durante não sei quantos dias, a tentar atrair gente.

Então, era para uma formação de um mês na área da Economia e Gestão de empresas. Eu sou de Letras. Não tenho matemática desde o 9º ano. Estão a ver o filme, não estão? Não é que eu não esteja receptiva a formações em áreas diferentes, mas tem que ser algo que eu consiga acompanhar e que, de facto, me venha a ser útil. Para vocês terem uma ideia, aqui ficam alguns dos módulos: "Contabilidade Financeira", "Análise Financeira e Avaliação de Projectos", "Fundings (Fontes de Financiamento), "Criação de Negócio", "Autoconhecimento e gestão pessoal". E estes são apenas alguns. No entanto, tendo em conta que isto era uma formação de um mês, nenhum deles iria ser muito aprofundado. Ora, eu até podia ter ido, mas ia ser tipo um burro a olhar para um palácio e ia estar só de corpo presente (o meu cérebro tem uma capacidade para desligar nestas alturas que vocês nem sabem). Se eles dissessem que me iam ensinar a fazer contas de dividir, eu inscrevia-me logo, mas isto "não, obrigada".

Claro que naquela sala começou uma pequena discussão entre nós e a formadora porque toda a gente franziu o nariz àquilo. Pois, a senhora pôs-se para lá com a cantiga do "vocês estão sempre a reclamar porque não há formação para licenciados, mas agora que a temos vocês dizem que não". Pois é, nós somos uns pobres e mal agradecidos, é o que é. Estão a impingir-nos uma formação (aquela e só aquela) que não nos interessa e que, acima de tudo, não nos ajudará neste processo de procura de emprego. Aquela formação apenas seria útil a quem quisesse criar o próprio emprego, a quem pretendesse abrir uma empresa/um negócio, mas mesmo assim aquilo seriam apenas umas luzes, algo apenas para começar.

E é isto. É isto que o IEFP tem para oferecer aos licenciados deste país. Aqui no nosso Portugal, um licenciado não consegue, sequer, inscrever-se num outro tipo de curso (daqueles a sério) do tipo profissionalizante, que lhe permita adquirir novas competências e requalificar-se, se for esse o seu desejo ou única solução. Se eu quiser ser cozinheira vou ter que aprender sozinha porque não me posso inscrever num curso profissional, esses estão-me vedados porque eu tenho qualificações a mais! A sério, até para aprender nós temos qualificações a mais! Somos mesmo um país pequenino. E parece que a única coisa que eles têm para nos oferecer são cursos deste género, porque parece que o que pretendem é que nos tornemos empreendedores (seja lá o que isso for) e criemos os nossos próprios negócios. Isto num país que está como está. Com empresas a fechar diariamente. Mas o IEFP ainda incentiva isto. 

A quem possa interessar, fica aqui o link para uma reportagem sobre este assunto: Licenciados impedidos de fazer cursos técnicos, que tem apenas umas semanas.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A outra carta

Desde que fiquei desempregada, em Julho de 2012, fui contactada pelo IEFP por duas vezes, sendo que ambos os contactos ocorreram já depois de ter completado um ano de desemprego e numa altura em que já não recebia subsídio de desemprego. A primeira foi esta. A segunda foi há cerca de um mês. 

Mais uma vez, fiquei muito surpreendida quando recebi esta carta e mais fiquei com o conteúdo da mesma. Eles estavam a convocar-me para uma "Sessão Colectiva de Orientação". Primeiro, eu não fazia ideia do que aquilo era... Segundo, eu já não estava a receber subsídio, apenas me encontrava inscrita no Centro de Emprego, no entanto eles diziam que se eu não fosse tinha que dar uma justificação ou então anulavam "a minha inscrição para emprego". Mais, o objectivo da tal sessão era "dar continuidade ao seu plano de emprego", que eles diziam que eu tinha definido no Centro de Emprego. Eu não me lembrava de ter definido nada, mas está bem...

Entrei em contacto com uma amiga minha que é da área dos Recursos Humanos e que, inclusivamente, fez estágio no IEFP para ela me esclarecer estas e outras questões. Ela lá me explicou que o plano de emprego é definido unilateralmente e, basicamente, é o nome que se dá ao processo de quando alguém está desempregado e está à procura de emprego. Resumindo e concluindo, é para inglês ver porque, na realidade, não há qualquer plano. 

Primeiro decidi que não ia, mas depois mudei de ideias e resolvi comparecer. Mas até essa minha amiga estava a achar isto estranho, dado que não percebia o que é que eu, enquanto licenciada, iria fazer ao Centro de Formação (dado que o IEFP não consegue dar qualquer resposta a quem tem uma licenciatura, não tem formação disponível). Eu já estava a achar que ia ser uma daquelas belas formações em que eles nos ensinam a fazer currículos... Mais, a carta tinha uma parte bastante gira, onde dizia que aquela era  uma "intervenção considerada necessária ao seu percurso de inserção"... Inserção? Really? Eu sei que sou um bocado anti-social, mas também não era caso para tanto...

Lá fui. E o que se passava afinal? 

Aceitam-se apostas...

To be continued...

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Os anúncios de emprego

Os anúncios de emprego em Portugal são um bicho estranho. Não havendo legislação que os regule, seria de esperar que imperasse o bem senso, mas parece-me que este não abunda muito por estes lados. Vê-se de tudo um pouco: empregadores anónimos, condições de trabalho absurdas, salários irreais (quando referidos) e a exigência de tudo e mais um par de botas. E seria de pensar que isto seria apenas em sítios manhosos, como lhes costumo chamar, mas não, estes anúncios aparecem nos sites mais populares de oferta/procura de emprego, inclusivamente num site governamental, pago, portanto, com dinheiros públicos. Falo, obviamente do sítio online do IEFP, do qual já falei brevemente aqui. Na verdade, aqui existem muito poucas ofertas publicadas e as que existem são, muitas vezes, se não ilegais, muitas vezes imorais. Não constitui surpresa nenhuma encontrar por lá anúncios em que se pedem licenciados (ou mestres), como arquitectos, engenheiros ou professores, a tempo inteiro pelo salário mínimo (485 euros, uma fortuna). E eu questiono-me sempre se, antes de qualquer anúncio ser lá publicado, não haverá por lá uma alminha com a quarta classe mal tirada, que saiba ler, e que olhe para aquilo com olhos de ver e não permita a publicação!? Daqui as pessoas depois retiram as suas conclusões: se através de um organismo público podemos publicar anúncios destes, sem qualquer proibição ou penalização, então noutros lugares podemos fazer muito pior! E é o que fazem...

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A carta

Li por aí uma notícia que dava conta da diminuição do número de desempregados e lembrei-me, a propósito disso, de uma carta que recebi do Centro de Emprego no passado mês de Julho. Então, a missiva rezava assim:

"Na sequência da sua inscrição para emprego, informamos que ainda não nos foi possível satisfazer o seu pedido de emprego. Se continuar interessado, queira devolver-nos este postal devidamente preenchido, no prazo de 10 dias a contar da data do correio. Se não responder procederemos à anulação da sua inscrição."

Durante os meses em que fui agraciada com a fortuna a que eles chamam de subsídio de desemprego, nunca me convocaram para nadica de nada. Só tinha que comparecer na Segurança Social, de 15 em 15 dias, como uma criminosa, para dizer que sim que ainda cá estava e que não tinha fugido com a fortuna que eles me "davam". Nunca me chamaram para verificar se eu estava a cumprir a minha parte (procura de emprego), nem sequer para me ajudar a encontrar emprego (estabelecer um plano, dar dicas, conselhos, etc...). Nem uma formação me propuseram!

De repente, queriam saber se ainda me podiam "ajudar"... Eu sei bem o que é que eles queriam! Queriam limpar as listas de desempregados para ficar bem nas estatísticas! Comigo é que não contam para isso. Fiz questão de preencher a dita carta e de a pôr no correio logo a seguir para que eles saibam que continua a precisar da "ajuda" que eles prestam para procurar um emprego. Não se livram de mim assim tão facilmente...



segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Um mar de estágios que parece não ter fim!

Este fim-de-semana, li, no suplemento de emprego do jornal Expresso, uma pequena notícia que dava conta das empresas que mais tinham anunciado neste espaço (em papel e online) durante o mês de Julho. Foi elaborado um ranking  e em primeiro lugar aparecia uma empresa que, nas últimas semanas, encheu o site com ofertas de emprego. E isto seria um motivo de celebração caso todas as vagas anunciadas, que não são poucas, não fossem em regime de Estágio Profissional do IEFP, ou seja, patrocinados por dinheiros públicos. Eu já tinha deparado com estes anúncios no site porque, basicamente, estão todos mal categorizados e inseridos no mesmo sítio (porque colocá-los um a um na categoria certa dá muito trabalho). Para além disto, há duas semanas também já tinha reparado num anúncio de página inteira que publicitava estas 50 vagas, no suplemento acima referido.

Esta questão dos Estágios Profissionais constitui matéria suficiente para um post individual, mas aproveito já para adiantar que estes não constituem uma forma de incentivo à contratação de jovens, mas sim uma forma de possibilitar que grandes empresas contratem recém-licenciados com o largo contributo do estado. E desenganem-se se julgam que estes apenas são apoiados com parte do vencimento, porque também usufruem de muitas benesses em termos fiscais, nomeadamente nos pagamentos à Segurança Social. Portanto, fica muito mais barato para uma grande empresa contratar estagiários patrocinados pelo Estado do que integrar meros trabalhadores. 

Se fizerem um pequeno exercício de busca pelos principais sites de emprego, vão rapidamente verificar que a maioria das ofertas de "emprego" que existe é neste formato. As empresas querem apenas recrutar estagiários, inclusive grandes empresas que têm capacidade económica. E, depois, contratam um verdadeiro exército de estagiários, como é o caso desta! São cinquenta jovens que, durante um ano, vão dar o litro pela empresa, vão trabalhar como qualquer outro trabalhador, com os mesmos deveres, mas sem os mesmos direitos. Vão esforçar-se sempre com uma possível integração na empresa na mira, no entanto serão muito poucos aqueles que conseguirão, efectivamente, ser contratados no final do estágio. 

E assim apenas conseguimos empurrar com a barriga uma situação já muito grave, a do desemprego jovem. Porque estes estágios não vão resolver este problema, nem sequer vão ajudar, visto que estes batalhões de estagiários que hoje são "contratados", daqui a um ano estarão no olho da rua, com uma mão à frente e outra atrás. Estarão desempregados e sem qualquer tipo de protecção, visto que, como estagiários, não efectuaram descontos para a segurança social, não têm direito ao Subsídio de Desemprego. Ou seja, daqui a um ano estarão no mesmo sítio. Daqui a um ano vão estar novamente desempregados. Daqui a um ano vão novamente andar desesperados à procura de emprego. Daqui a um ano os empregos que vão encontrar são todos para estagiários. Daqui a um ano já não vão poder concorrer a estes porque já fizeram um estágio profissional. Daqui um ano vão estar novamente a ver navios... 

E isto é uma pescadinha de rabo na boca, é uma situação que parece não ter fim!