Este fim-de-semana, li, no suplemento de emprego do jornal
Expresso, uma
pequena notícia que dava conta das empresas que mais tinham anunciado neste espaço (em papel e
online) durante o mês de Julho. Foi elaborado um
ranking e em primeiro lugar aparecia uma empresa que, nas últimas semanas, encheu o
site com ofertas de emprego. E isto seria um motivo de celebração caso todas as vagas anunciadas, que não são poucas, não fossem em regime de Estágio Profissional do IEFP, ou seja, patrocinados por dinheiros públicos. Eu já tinha deparado com estes
anúncios no site porque, basicamente, estão todos mal categorizados e inseridos no mesmo sítio (porque colocá-los um a um na categoria certa dá muito trabalho). Para além disto, há duas semanas também já tinha reparado num anúncio de página inteira que publicitava estas 50 vagas, no suplemento acima referido.
Esta questão dos Estágios Profissionais constitui matéria suficiente para um post individual, mas aproveito já para adiantar que estes não constituem uma forma de incentivo à contratação de jovens, mas sim uma forma de possibilitar que grandes empresas contratem recém-licenciados com o largo contributo do estado. E desenganem-se se julgam que estes apenas são apoiados com parte do vencimento, porque também usufruem de muitas benesses em termos fiscais, nomeadamente nos pagamentos à Segurança Social. Portanto, fica muito mais barato para uma grande empresa contratar estagiários patrocinados pelo Estado do que integrar meros trabalhadores.
Se fizerem um pequeno exercício de busca pelos principais sites de emprego, vão rapidamente verificar que a maioria das ofertas de "emprego" que existe é neste formato. As empresas querem apenas recrutar estagiários, inclusive grandes empresas que têm capacidade económica. E, depois, contratam um verdadeiro exército de estagiários, como é o caso desta! São cinquenta jovens que, durante um ano, vão dar o litro pela empresa, vão trabalhar como qualquer outro trabalhador, com os mesmos deveres, mas sem os mesmos direitos. Vão esforçar-se sempre com uma possível integração na empresa na mira, no entanto serão muito poucos aqueles que conseguirão, efectivamente, ser contratados no final do estágio.
E assim apenas conseguimos empurrar com a barriga uma situação já muito grave, a do desemprego jovem. Porque estes estágios não vão resolver este problema, nem sequer vão ajudar, visto que estes batalhões de estagiários que hoje são "contratados", daqui a um ano estarão no olho da rua, com uma mão à frente e outra atrás. Estarão desempregados e sem qualquer tipo de protecção, visto que, como estagiários, não efectuaram descontos para a segurança social, não têm direito ao Subsídio de Desemprego. Ou seja, daqui a um ano estarão no mesmo sítio. Daqui a um ano vão estar novamente desempregados. Daqui a um ano vão novamente andar desesperados à procura de emprego. Daqui a um ano os empregos que vão encontrar são todos para estagiários. Daqui a um ano já não vão poder concorrer a estes porque já fizeram um estágio profissional. Daqui um ano vão estar novamente a ver navios...
E isto é uma pescadinha de rabo na boca, é uma situação que parece não ter fim!