terça-feira, 21 de janeiro de 2014

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O problema não és tu. Sou eu...

Acho que já perdi a conta ao número de entrevistas que lixei. Não há volta a dar. Não tenho jeito nenhum para isso e espalho-me ao comprido. Ora é porque sou honesta demais, ora porque não fui totalmente honesta e dei uma resposta-tipo. A verdade é que não fui feita para este mundo de faz de conta, de bajulação e massagens ao ego alheio.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Mais uma forma de escravatura moderna. Esta com o aval do estado.

Partilho convosco um artigo de opinião muito interessante, de Daniel Oliveira, sobre a aberração que são as supostas respostas do estado ao desemprego: "Desempregados e Escravos do Estado".

"Já nem debato aqui a imoralidade deste tipo de contratos, que tratam o desempregado como alguém que deve ser regenerado, em vez de ter políticas ativas de criação de emprego. Já nem falo do truque estatístico, que retira estas pessoas dos números do desemprego. Concentro-me apenas nesta perversidade: para manter o desempregado em atividade, ele ocupa um postos de trabalho, sem o rendimento a que teria direito como trabalhador, contribuindo assim para o seu próprio desemprego. Se o posto de trabalho existe, se o candidato existe, está habilitado para o lugar e, ainda por cima, está desempregado, porque raio não ocupa aquela função como qualquer trabalhador? Porque, desta forma, podem-lhe pagar muito menos e não lhe dar quaisquer direitos e estabilidade."

Podem ler o resto aqui.

Contas

Estive a fazer contas e apercebi-me que estou desempregada há 18 meses.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Responder ou não responder, eis a questão!

No outro dia, a Luna tocou num ponto fundamental, numa diferença (que eu diria abismal) entre os processos de recrutamento portugueses e os britânicos, por exemplo. Já falei disto aqui, pois não consigo compreender por que razão as empresas não respondem aos candidatos que não foram seleccionados, acabando por deixá-los na expectativa, sem saber se a vaga ainda está em aberto (quando não são indicados prazos), se estão a analisar as candidaturas ou se a vaga já foi, efectivamente, preenchida. E, de facto, pela minha (ainda pouca) experiência, parece-me que a mentalidade em outros países europeus é bem diferente. Claro que há aqueles que também não respondem, mas parece-me que são, sobretudo, empresas de recrutamento porque, lá está, eles recrutam para vários postos ao mesmo tempo e para lugares que não têm nada que ver uns com os outros. Acho que isso constitui em si um problema, mas não vou falar disso agora, até porque já o fiz

Queria apenas dar dois exemplos concretos. O primeiro é recente, é de hoje mesmo. Candidatei-me a uma grande empresa britânica uma das maiores na área em que actua. Já não é a primeira vez que o faço e posso garantir que eles têm uma atitude impecável com quem concorre às suas vagas de emprego. Este foi o email automático que recebi logo após a candidatura:



Sim, depois de terminado o prazo de candidatura (que é algo que também é muito bom, pois uma pessoa sabe até quando se pode candidatar e prepara as coisas com calma) e depois de analisadas as candidaturas, eles entram em contacto com todos os candidatos. E deixem-me dizer que é verdade. Da outra vez fizeram-no. Claro que não vale a pena esperar uma resposta personalizada, é um email standard, mas mesmo assim é muito bom saber, mesmo que a resposta seja um "não". É que podemos, pelo menos, fechar aquela porta com certezas.

A primeira vez que respondi a um anúncio para o estrangeiro foi para uma grande empresa, neste caso para a sua sede na Alemanha. Em pouco tempo recebi um email do responsável de recursos humanos a pedir desculpa (!) porque, devido à quantidade de candidaturas que estavam a receber, iam demorar um pouco a analisar a minha. 


Passados uns dias (!) recebi outro email, desta feita já da pessoa responsável pela área. Posteriormente, quando foi a altura de saber se passava à fase seguinte, lá recebi o email do responsável dos recurso humanos a dizer que, infelizmente, eu não ia prosseguir. Isto tudo passou-se em meia dúzia de dias e estamos a falar de uma grande empresa, de uma multinacional. E acho que aqui se vê a chamada eficácia alemã... 

Acho que é tudo uma questão de haver organização, pessoal competente e, claro, em número suficiente para fazer o trabalho como deve ser. Acho que se pode contar pelos dedos de uma mão o número de respostas (positivas ou negativas) que eu tenho obtido por parte de empresas portuguesas.  E as experiências mais positivas que tenho tido são, efectivamente, as de empresas no estrangeiro. Aquelas que, no meio das centenas de candidaturas que devem ter, arranjam cinco minutos para fazer copy/paste de um texto para enviar aos candidatos que não foram seleccionados para entrevista. Nós, cá, é que temos a mania que somos grandes e importantes...

*Neste texto fiz "auto-plágio", ou seja, copiei algumas coisas que já tinha dito, em forma de comentário, no post da Luna.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Ajuda do público

Meus caros leitores e minhas caras leitoras,

depois de um longo silêncio (nem sei como é que vocês têm sobrevivido sem mim), venho aqui hoje aproveitar-me de vós e pedir a vossa ajuda. Sim, preciso da vossa sabedoria.

Ora, sendo eu uma pessoa dada à honestidade e com uma imensa dificuldade em mentir, dou por mim a ser vítima desse mundo cão que são as entrevistas de trabalho. Por isso, peço que recorram à vossa experiência e me digam como é que se responde a perguntas destas:

1) Por que razão pretende trabalhar na área X?
2) Onde é que se vê daqui a 5 anos? (Ou daqui a 10, como me perguntaram na semana passada.)
3) Quem é?
4) ... 

[em actualização]


Preciso de respostas abertas e ambíguas o suficiente para que sirvam para qualquer área. Que, no fundo, não digam nada, mas que pareçam lindas e muito dignas. Assim daquelas que alguns recrutadores gostam de ouvir, assim daqueles que precisam que lhes afaguem o ego.

Agradecida

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Respondi a um anúncio de emprego e obtive esta resposta


Nem sei o que vos diga acerca disto. Não sei que parte me chocou mais, se as ilegalidades e imoralidades que propõem, se a distinta lata que têm para fazer uma proposta destas. 

Primeiro, já chegámos ao ponto em que temos que pagar para trabalhar? Então e a minha licenciatura, o meu estágio, a minha experiência profissional e o meu mestrado quase concluído não contam para nada? (Friso que se tratava de uma posição na minha área de formação específica! ) Não sei se isto é ilegal, mas pelo menos imoral sei que é.

Depois vem a parte claramente ilegal: a falsa situação de recibos verdes, dado que há uma entidade patronal e um horário fixos. E a desculpa deles nem sequer se justifica, dado que qualquer contrato laboral tem um período de experiência, ao fim do qual qualquer uma das partes o pode denunciar sem prejuízo.

E, por fim, ainda querem fazer uma entrevista de grupo para dar a conhecer o projecto, ou seja, ver se convencem alguém a aceitar trabalhar nestas condições.

Eu, sinceramente, não sei onde é que este país vai parar. 



Para saberem o que é um falso recibo verde podem consultar este site. Desde 1 de Setembro está em vigor uma nova lei para tentar combater os falsos recibos verdes (esta aqui), que resultou da luta de um movimento de cidadãos. Para estarem informados sobre estes assuntos, nada como consultarem o site Ganhem Vergonha (já falei sobre ele aqui) ou segui-los no Facebook.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Então, o que é que os senhores do IEFP queriam?

Tal como eu, muitos outros desempregados licenciados foram convocados em massa para comparecer no centro de formação. E quando digo em massa não estou a exagerar, foram mesmo todos aqueles a quem eles conseguiram deitar a mão. Eles estavam a fazer sessões de esclarecimento destas de hora em hora, durante não sei quantos dias, a tentar atrair gente.

Então, era para uma formação de um mês na área da Economia e Gestão de empresas. Eu sou de Letras. Não tenho matemática desde o 9º ano. Estão a ver o filme, não estão? Não é que eu não esteja receptiva a formações em áreas diferentes, mas tem que ser algo que eu consiga acompanhar e que, de facto, me venha a ser útil. Para vocês terem uma ideia, aqui ficam alguns dos módulos: "Contabilidade Financeira", "Análise Financeira e Avaliação de Projectos", "Fundings (Fontes de Financiamento), "Criação de Negócio", "Autoconhecimento e gestão pessoal". E estes são apenas alguns. No entanto, tendo em conta que isto era uma formação de um mês, nenhum deles iria ser muito aprofundado. Ora, eu até podia ter ido, mas ia ser tipo um burro a olhar para um palácio e ia estar só de corpo presente (o meu cérebro tem uma capacidade para desligar nestas alturas que vocês nem sabem). Se eles dissessem que me iam ensinar a fazer contas de dividir, eu inscrevia-me logo, mas isto "não, obrigada".

Claro que naquela sala começou uma pequena discussão entre nós e a formadora porque toda a gente franziu o nariz àquilo. Pois, a senhora pôs-se para lá com a cantiga do "vocês estão sempre a reclamar porque não há formação para licenciados, mas agora que a temos vocês dizem que não". Pois é, nós somos uns pobres e mal agradecidos, é o que é. Estão a impingir-nos uma formação (aquela e só aquela) que não nos interessa e que, acima de tudo, não nos ajudará neste processo de procura de emprego. Aquela formação apenas seria útil a quem quisesse criar o próprio emprego, a quem pretendesse abrir uma empresa/um negócio, mas mesmo assim aquilo seriam apenas umas luzes, algo apenas para começar.

E é isto. É isto que o IEFP tem para oferecer aos licenciados deste país. Aqui no nosso Portugal, um licenciado não consegue, sequer, inscrever-se num outro tipo de curso (daqueles a sério) do tipo profissionalizante, que lhe permita adquirir novas competências e requalificar-se, se for esse o seu desejo ou única solução. Se eu quiser ser cozinheira vou ter que aprender sozinha porque não me posso inscrever num curso profissional, esses estão-me vedados porque eu tenho qualificações a mais! A sério, até para aprender nós temos qualificações a mais! Somos mesmo um país pequenino. E parece que a única coisa que eles têm para nos oferecer são cursos deste género, porque parece que o que pretendem é que nos tornemos empreendedores (seja lá o que isso for) e criemos os nossos próprios negócios. Isto num país que está como está. Com empresas a fechar diariamente. Mas o IEFP ainda incentiva isto. 

A quem possa interessar, fica aqui o link para uma reportagem sobre este assunto: Licenciados impedidos de fazer cursos técnicos, que tem apenas umas semanas.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A outra carta

Desde que fiquei desempregada, em Julho de 2012, fui contactada pelo IEFP por duas vezes, sendo que ambos os contactos ocorreram já depois de ter completado um ano de desemprego e numa altura em que já não recebia subsídio de desemprego. A primeira foi esta. A segunda foi há cerca de um mês. 

Mais uma vez, fiquei muito surpreendida quando recebi esta carta e mais fiquei com o conteúdo da mesma. Eles estavam a convocar-me para uma "Sessão Colectiva de Orientação". Primeiro, eu não fazia ideia do que aquilo era... Segundo, eu já não estava a receber subsídio, apenas me encontrava inscrita no Centro de Emprego, no entanto eles diziam que se eu não fosse tinha que dar uma justificação ou então anulavam "a minha inscrição para emprego". Mais, o objectivo da tal sessão era "dar continuidade ao seu plano de emprego", que eles diziam que eu tinha definido no Centro de Emprego. Eu não me lembrava de ter definido nada, mas está bem...

Entrei em contacto com uma amiga minha que é da área dos Recursos Humanos e que, inclusivamente, fez estágio no IEFP para ela me esclarecer estas e outras questões. Ela lá me explicou que o plano de emprego é definido unilateralmente e, basicamente, é o nome que se dá ao processo de quando alguém está desempregado e está à procura de emprego. Resumindo e concluindo, é para inglês ver porque, na realidade, não há qualquer plano. 

Primeiro decidi que não ia, mas depois mudei de ideias e resolvi comparecer. Mas até essa minha amiga estava a achar isto estranho, dado que não percebia o que é que eu, enquanto licenciada, iria fazer ao Centro de Formação (dado que o IEFP não consegue dar qualquer resposta a quem tem uma licenciatura, não tem formação disponível). Eu já estava a achar que ia ser uma daquelas belas formações em que eles nos ensinam a fazer currículos... Mais, a carta tinha uma parte bastante gira, onde dizia que aquela era  uma "intervenção considerada necessária ao seu percurso de inserção"... Inserção? Really? Eu sei que sou um bocado anti-social, mas também não era caso para tanto...

Lá fui. E o que se passava afinal? 

Aceitam-se apostas...

To be continued...

terça-feira, 5 de novembro de 2013

É a crise... de valores!

Na Sexta-feira, o programa da RTP Sexta às 9 emitiu uma reportagem sobre a questão do desemprego em Portugal. Muito resumidamente, eram apresentadas duas situações: por um lado, empresas que não conseguiam preencher todas as vagas de emprego que ofereciam, por outro, desempregados a quem eram oferecidos "salários" vergonhosos a troco de trabalho a tempo inteiro.

Fiquei muito curiosa quando vi a promoção do programa e, por isso, assisti à reportagem com toda a atenção. Ora bem, vamos à primeira parte: apareceu um empresário a queixar-se que não tinha ninguém que aceitasse os empregos que tinha para oferecer na sua fábrica (de calçado, julgo), porque preferiam ficar em casa a receber o subsídio de desemprego do que ir trabalhar pelo salário mínimo. Sim, é verdade que haverá muita gente por esse país fora que não quer, de facto, trabalhar, mas também é verdade que há gente que não pode, pura e simplesmente, dar-se ao luxo de sofrer mais qualquer corte no seu já parco rendimento mensal. Por alguma razão os beneficiários do subsídio de desemprego não são obrigados a aceitar propostas de trabalho em que o valor do salário é inferior ao do subsídio... Para quem não sabe, eu explico: o valor do subsídio corresponde, grosso modo, a 60% do salário que a pessoa auferia, logo, dado que ao ficar desempregada essa pessoa já viu ir à vida quase metade do seu rendimento, é normal que agora uma pequena diferença, por menor que esta possa parecer, que lhe seja apresentada seja quase incomportável (mesmo que sejam "só" cem euros...).

Mas aquilo que verdadeiramente me interessava naquela reportagem era a outra parte, dado que tenho vindo a acompanhar a denúncia de vários casos ilegais e/ou imorais na Internet. O que acontece é que há muitas empresas e empresários que se têm vindo a aproveitar do estado em que o país se encontra para contratar mão-de-obra quase a custo zero. Pois é verdade, se forem a uma entrevista de trabalho pode ser que vos ofereçam menos de 300 euros a troco de trabalho a tempo inteiro... E ainda vão ficar muito ofendidos se vocês reclamarem, porque se vocês não aceitarem haverá, com certeza, quem esteja desesperado ao ponto de o fazer...

E pronto, este é o país de merda em que vivemos. Desculpem, mas eu ando pelos cabelos com esta situação e tenho-me segurado para não desatar a dizer asneiras a torto e a direito e a mandar esta gente toda para a pata que os pôs. Mas não se preocupem, eu hei-de voltar a este assunto (fujam enquanto podem!) porque me fartei de estar calada.