Tal como eu, muitos outros desempregados licenciados foram convocados em massa para comparecer no centro de formação. E quando digo em massa não estou a exagerar, foram mesmo todos aqueles a quem eles conseguiram deitar a mão. Eles estavam a fazer sessões de esclarecimento destas de hora em hora, durante não sei quantos dias, a tentar atrair gente.
Então, era para uma formação de um mês na área da Economia e Gestão de empresas. Eu sou de Letras. Não tenho matemática desde o 9º ano. Estão a ver o filme, não estão? Não é que eu não esteja receptiva a formações em áreas diferentes, mas tem que ser algo que eu consiga acompanhar e que, de facto, me venha a ser útil. Para vocês terem uma ideia, aqui ficam alguns dos módulos: "Contabilidade Financeira", "Análise Financeira e Avaliação de Projectos", "Fundings (Fontes de Financiamento), "Criação de Negócio", "Autoconhecimento e gestão pessoal". E estes são apenas alguns. No entanto, tendo em conta que isto era uma formação de um mês, nenhum deles iria ser muito aprofundado. Ora, eu até podia ter ido, mas ia ser tipo um burro a olhar para um palácio e ia estar só de corpo presente (o meu cérebro tem uma capacidade para desligar nestas alturas que vocês nem sabem). Se eles dissessem que me iam ensinar a fazer contas de dividir, eu inscrevia-me logo, mas isto "não, obrigada".
Claro que naquela sala começou uma pequena discussão entre nós e a formadora porque toda a gente franziu o nariz àquilo. Pois, a senhora pôs-se para lá com a cantiga do "vocês estão sempre a reclamar porque não há formação para licenciados, mas agora que a temos vocês dizem que não". Pois é, nós somos uns pobres e mal agradecidos, é o que é. Estão a impingir-nos uma formação (aquela e só aquela) que não nos interessa e que, acima de tudo, não nos ajudará neste processo de procura de emprego. Aquela formação apenas seria útil a quem quisesse criar o próprio emprego, a quem pretendesse abrir uma empresa/um negócio, mas mesmo assim aquilo seriam apenas umas luzes, algo apenas para começar.
E é isto. É isto que o IEFP tem para oferecer aos licenciados deste país. Aqui no nosso Portugal, um licenciado não consegue, sequer, inscrever-se num outro tipo de curso (daqueles a sério) do tipo profissionalizante, que lhe permita adquirir novas competências e requalificar-se, se for esse o seu desejo ou única solução. Se eu quiser ser cozinheira vou ter que aprender sozinha porque não me posso inscrever num curso profissional, esses estão-me vedados porque eu tenho qualificações a mais! A sério, até para aprender nós temos qualificações a mais! Somos mesmo um país pequenino. E parece que a única coisa que eles têm para nos oferecer são cursos deste género, porque parece que o que pretendem é que nos tornemos empreendedores (seja lá o que isso for) e criemos os nossos próprios negócios. Isto num país que está como está. Com empresas a fechar diariamente. Mas o IEFP ainda incentiva isto.