terça-feira, 5 de novembro de 2013

É a crise... de valores!

Na Sexta-feira, o programa da RTP Sexta às 9 emitiu uma reportagem sobre a questão do desemprego em Portugal. Muito resumidamente, eram apresentadas duas situações: por um lado, empresas que não conseguiam preencher todas as vagas de emprego que ofereciam, por outro, desempregados a quem eram oferecidos "salários" vergonhosos a troco de trabalho a tempo inteiro.

Fiquei muito curiosa quando vi a promoção do programa e, por isso, assisti à reportagem com toda a atenção. Ora bem, vamos à primeira parte: apareceu um empresário a queixar-se que não tinha ninguém que aceitasse os empregos que tinha para oferecer na sua fábrica (de calçado, julgo), porque preferiam ficar em casa a receber o subsídio de desemprego do que ir trabalhar pelo salário mínimo. Sim, é verdade que haverá muita gente por esse país fora que não quer, de facto, trabalhar, mas também é verdade que há gente que não pode, pura e simplesmente, dar-se ao luxo de sofrer mais qualquer corte no seu já parco rendimento mensal. Por alguma razão os beneficiários do subsídio de desemprego não são obrigados a aceitar propostas de trabalho em que o valor do salário é inferior ao do subsídio... Para quem não sabe, eu explico: o valor do subsídio corresponde, grosso modo, a 60% do salário que a pessoa auferia, logo, dado que ao ficar desempregada essa pessoa já viu ir à vida quase metade do seu rendimento, é normal que agora uma pequena diferença, por menor que esta possa parecer, que lhe seja apresentada seja quase incomportável (mesmo que sejam "só" cem euros...).

Mas aquilo que verdadeiramente me interessava naquela reportagem era a outra parte, dado que tenho vindo a acompanhar a denúncia de vários casos ilegais e/ou imorais na Internet. O que acontece é que há muitas empresas e empresários que se têm vindo a aproveitar do estado em que o país se encontra para contratar mão-de-obra quase a custo zero. Pois é verdade, se forem a uma entrevista de trabalho pode ser que vos ofereçam menos de 300 euros a troco de trabalho a tempo inteiro... E ainda vão ficar muito ofendidos se vocês reclamarem, porque se vocês não aceitarem haverá, com certeza, quem esteja desesperado ao ponto de o fazer...

E pronto, este é o país de merda em que vivemos. Desculpem, mas eu ando pelos cabelos com esta situação e tenho-me segurado para não desatar a dizer asneiras a torto e a direito e a mandar esta gente toda para a pata que os pôs. Mas não se preocupem, eu hei-de voltar a este assunto (fujam enquanto podem!) porque me fartei de estar calada.




terça-feira, 29 de outubro de 2013

Dicas para piorar um CV

Já dei por mim a olhar para o meu CV e pensar em maneiras de o tornar mais... pobre. Sim, retirar habilitações. 

Imaginemos que eu decido retirar de lá a licenciatura e fazer de conta que tenho apenas o 12º ano. Põe-se aqui um grande problema: como é que eu justifico uma ausência de quase 10 anos? Eu acabei o secundário em 2004... o que é que eu estive a fazer até agora? Sim, porque, para além dos anos que eu passei a estudar, há que justificar também os anos em que eu estive a trabalhar (trabalhos que requeriam uma licenciatura)... 

Eu já tenho algumas ideias:

               - estive em coma profundo;
               - queria ser freira e, por isso, estive num convento;
               - dediquei-me à agricultura;
               - ...

Se alguém tiver mais alguma ideia, faça o favor de dizer! Estou receptiva a tudo!

Agradecida.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Sick and Tired

Esta é uma expressão inglesa que significa estar farto, completamente farto. E é assim que eu estou. Farta. Completamente farta. Já não há palavras na língua portuguesa capazes de descrever o estado em que eu me encontro e aquilo que sinto. 

sábado, 26 de outubro de 2013

Para darem respostas destas, mais valia estarem calados. Isto não é propriamente neurocirurgia...

Especificidades da função?! Pelo amor da santa, eu candidatei-me a um lugar de vendedora numa loja de roupa! Pronto, era Boutique Assistant, mas ainda assim...

Outra vez os testes psicotécnicos

aqui disse uma vez que não percebo a utilidade destes testes em processos de recrutamento e volto a repeti-lo: não percebo e não consigo entender a sua utilidade. E ainda não consegui esclarecer a sua fiabilidade. Realizei-os o ano passado e voltei a realizá-los este ano, na mesma empresa de recrutamento e para uma função similar à que me havia candidatado antes.

Foi com alguma surpresa que recebi a convocatória para a realização destes testes de avaliação intelectual e comportamental, mas, apesar do que aconteceu no ano passado, resolvi arriscar e voltar a tentar. Os testes foram exactamente os mesmos, sem tirar nem pôr... E adivinhem lá: passei ou não? O que acham? Pois, como é óbvio, não passei. Acho. Não posso ter a certeza porque eles não nos dão os resultados.

Desta vez, ao contrário da primeira, os testes até me correram bem. Saí de lá convencida de que teria, pelo menos, passado à fase seguinte, a da entrevista. Os dias foram passando e aquilo que eu temia verificou-se: não fui chamada. Fiquei completamente passada e enviei um email à empresa de recrutamento a solicitar o envio dos resultados dos MEUS testes. Passaram-se 10 dias sem obter qualquer resposta. Voltei à carga, tornei a enviar um email, realçando o facto de não ter obtido QUALQUER resposta ao anterior, reiterando o meu pedido, desta vez realçado com negrito, sublinhado e letra vermelha. Nem dez minutos depois, o meu telemóvel tocou e era a própria da recrutadora para se desculpar pela falta de resposta e para dizer que não era política da empresa facultar os resultados dos testes aos candidatos. Voltei a insistir, dizendo que não compreendia por que não os revelavam, dado que, se eu faço testes, gostaria de, pelo menos, saber os seus resultados. E a senhora lá tratou de se proteger dizendo que em lado nenhum a empresa se comprometia a facultar os resultados dos mesmos, porque eles eram contratados por uma empresa para um serviço, e era essa emprega que lhes pagava e que não tinham sequer tempo para facultar os resultados a todos os candidatos. E continuou dizendo que parte da avaliação era subjectiva (?) e que seria difícil colocar isso numa folha de resultados para os candidatos. Pois então, muito obrigada (de nada) e até à próxima.

Portanto, para além de não ter ficado com o emprego (de nem sequer me terem dado essa hipótese), de ter ido gastar dinheiro em bilhetes de comboio e de metro e de ter estado a perder algumas horas do meu tempo a ser alvo de testes dos quais nem sequer sei o resultado, eu pergunto-me para que é que isto serviu, afinal?!...

E, com isto tudo, eu começo a achar que, de facto, devo ter um QI de 0,5... Acho que vou ter que estudar este assunto. E acho que tenho que começar por aqui:



terça-feira, 15 de outubro de 2013

Não poderia deixar de mencionar aqui esta notícia, que saiu a semana passada no site do jornal Público. E vem mesmo a propósito do que escrevi no post anterior. Resumindo, um sociólogo fez um estudo em que concluiu que os novos emigrantes portugueses em França (e falamos de trabalhadores qualificados) saíram dos país porque querem ser adultos...



segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A eterna insatisfação

Eu sei que devia estar contente. Eu sei. Mas não estou. Não consigo estar. Encontrei um trabalho, em part-time, em regime de prestação de serviços. Sim, eu sei, é melhor do que nada (como eu odeio esta expressão!). Mas, mesmo assim, não consigo estar feliz. Ainda não tenho o número de horas definitivo, é verdade, mas também sei que, mesmo a correr bem, não passará de um certo valor, isto, claro, em termos brutos, porque depois há que ir às Finanças e à Segurança Social saber o valor do estrago que eles me vão fazer...

Eu sinto-me num beco sem saída, parece que esta situação não vai mudar nunca e eu só posso escolher uma de duas opções: desempregada ou precária. Não vejo qualquer futuro para mim e isso deixa-me profundamente transtornada. Tento preencher a minha mente com mil e uma coisas diferentes, mas é impossível relaxar, o meu pensamento foge-me constantemente para o mesmo sítio e esse sítio é um beco sem saída. Sinto que não tenho direito a ter uma vida própria. Sinto que não tenho direito a ter a minha vida...

Durante as últimas semanas fui-me enchendo de esperança. De repente, e sem eu estar à espera, começaram a chegar as convocatórias para entrevistas, algumas delas vindas de anúncios aos quais eu já tinha respondido há meses! No entanto, finda essa pequena época encantatória, durante a qual eu me permiti sonhar bem alto, regressei ao mesmo vazio de sempre, com uma queda muito forte e muito bruta, apenas amortecida por um pequeno prémio de consolação que é este trabalho. É isso mesmo, tendo em conta o leque de possibilidades que eu tinha há uns dias, este parece mesmo apenas um pequeno prémio de consolação. Mas eu quero mais, muito mais. Eu preciso de muito mais, porque eu preciso, e mereço, uma vida a sério.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Ir ao engano

Cada vez me convenço mais de que anda meio mundo a tentar enganar outro meio. E isso vê-se nos nomes que dão às profissões nos anúncios de emprego. Por exemplo, aquilo que há uns anos se chamava "Vendedor Porta a Porta" neste momento pode ter várias designações, tais como "Técnico Comercial Door to Door", "Vendedor D2D" ou "Comercial D2D". Depois venham cá dizer que isto não é para enganar as pessoas... Mas esta gente terá noção do ridículo? Eles acham mesmo que as pessoas são assim tão tontas e que não acabam por descobrir o que isto realmente é?!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Estará o desemprego mesmo a baixar?

Os anúncios de emprego com que vou deparando, bem como as notícias que todos os dias ouço ou leio, deixam-me muito poucas dúvidas: cada vez mais caminhamos para uma situação de escravatura dos tempos modernos. Como é óbvio, para tal contribui, entre outras coisas, o facto de proliferarem os estágios não remunerados, bem como a degradação das condições de trabalho e do valor dos salários.

Foi isso mesmo que hoje li num texto de opinião muito interessante. A propósito dos números do desemprego, que parecem estar a baixar, diz o autor (um jornalista) que tal não reflecte necessariamente uma melhoria nas condições de vida, mas sim um medo generalizado que faz com que as pessoas aceitem qualquer coisa a troco de quase nada:

"É possível que a taxa de desemprego continue a descer, já que os salários estão a sofrer uma forte degradação. Só que isso, ao contrário do que pretendem os neoliberais, não representa uma melhoria das condições de vida das pessoas ou da economia. É evidente que, se os salários continuarem a descer e os despedimentos forem cada vez mais fáceis, haverá cada vez mais empregadores dispostos a oferecer trabalho por baixos salários. A questão é a qualidade desses postos de trabalho. Portugal já tem a vergonha de ser um país onde ter um emprego não representa uma protecção contra a miséria e o que tudo indica é que o número de empregados pobres vai continuar a aumentar. O que pode coincidir com uma descida da taxa de desemprego, mas está longe de ser óptimo. Se o Governo levasse a sua avante e o salário mínimo fosse eliminado (um sonho dos neoliberais), o desemprego provavelmente desceria de forma radical. Seria possível contratar trabalhadores em troca de um prato de sopa ou de um par de sapatos e haveria suficientes “empregos” para todos e muitos desesperados prontos a aceitá-los. Afinal, nas sociedades esclavagistas não havia escravos desempregados. A desvalorização do trabalho, as descidas de salários, os despedimentos, o aumento de impostos e o empobrecimento geral da sociedade têm este objectivo: reduzir os salários até ao ponto em que os trabalhadores se vejam reduzidos a uma quase escravidão. Entretanto, as televisões ir-nos-ão dando as boas notícias do Eurostat!"

A propósito dos estágios não remunerados, o jornalista, que já foi um seu defensor, agora critica-os, por serem apenas uma maneira cómoda de obter mão de obra de forma gratuita, em vez de ser um período de formação, como seria expectável:

"Tratou-se sempre de situações onde tinha a absoluta convicção de que a formação que estava a dar aos estagiários era profissionalmente útil, pessoalmente enriquecedora e com um valor reconhecido pelo mercado. E parecia-me aceitável que esses estágios não fossem remunerados porque acreditava que aquilo que dávamos aos nossos formandos valia muito mais que um ordenado. Mas a verdade é que é cada vez mais raro que um estágio não remunerado seja concebido e executado como uma acção de formação séria e, na esmagadora maioria dos casos, é apenas um eufemismo para uma exploração sem-vergonha de trabalhadores jovens em busca do primeiro emprego. Muitos dos não-desempregados-não-empregados que não aparecem nas estatísticas de desemprego são estagiários explorados por empresas sem escrúpulos. Hoje penso que os estágios não remunerados se tornaram puras ferramentas de exploração e, por isso, devem acabar. Um estagiário merece pelo menos o salário mínimo."

Acho que este texto diz bastante sobre o estado a que este país chegou. Quem quiser pode lê-lo integralmente: A escravatura como forma de combater o desemprego?, um texto do jornalista José Vítor Malheiros, publicado no site Clube de Jornalistas.