Especificidades da função?! Pelo amor da santa, eu candidatei-me a um lugar de vendedora numa loja de roupa! Pronto, era Boutique Assistant, mas ainda assim...
sábado, 26 de outubro de 2013
Outra vez os testes psicotécnicos
Já aqui disse uma vez que não percebo a utilidade destes testes em processos de recrutamento e volto a repeti-lo: não percebo e não consigo entender a sua utilidade. E ainda não consegui esclarecer a sua fiabilidade. Realizei-os o ano passado e voltei a realizá-los este ano, na mesma empresa de recrutamento e para uma função similar à que me havia candidatado antes.
Foi com alguma surpresa que recebi a convocatória para a realização destes testes de avaliação intelectual e comportamental, mas, apesar do que aconteceu no ano passado, resolvi arriscar e voltar a tentar. Os testes foram exactamente os mesmos, sem tirar nem pôr... E adivinhem lá: passei ou não? O que acham? Pois, como é óbvio, não passei. Acho. Não posso ter a certeza porque eles não nos dão os resultados.
Desta vez, ao contrário da primeira, os testes até me correram bem. Saí de lá convencida de que teria, pelo menos, passado à fase seguinte, a da entrevista. Os dias foram passando e aquilo que eu temia verificou-se: não fui chamada. Fiquei completamente passada e enviei um email à empresa de recrutamento a solicitar o envio dos resultados dos MEUS testes. Passaram-se 10 dias sem obter qualquer resposta. Voltei à carga, tornei a enviar um email, realçando o facto de não ter obtido QUALQUER resposta ao anterior, reiterando o meu pedido, desta vez realçado com negrito, sublinhado e letra vermelha. Nem dez minutos depois, o meu telemóvel tocou e era a própria da recrutadora para se desculpar pela falta de resposta e para dizer que não era política da empresa facultar os resultados dos testes aos candidatos. Voltei a insistir, dizendo que não compreendia por que não os revelavam, dado que, se eu faço testes, gostaria de, pelo menos, saber os seus resultados. E a senhora lá tratou de se proteger dizendo que em lado nenhum a empresa se comprometia a facultar os resultados dos mesmos, porque eles eram contratados por uma empresa para um serviço, e era essa emprega que lhes pagava e que não tinham sequer tempo para facultar os resultados a todos os candidatos. E continuou dizendo que parte da avaliação era subjectiva (?) e que seria difícil colocar isso numa folha de resultados para os candidatos. Pois então, muito obrigada (de nada) e até à próxima.
Portanto, para além de não ter ficado com o emprego (de nem sequer me terem dado essa hipótese), de ter ido gastar dinheiro em bilhetes de comboio e de metro e de ter estado a perder algumas horas do meu tempo a ser alvo de testes dos quais nem sequer sei o resultado, eu pergunto-me para que é que isto serviu, afinal?!...
E, com isto tudo, eu começo a achar que, de facto, devo ter um QI de 0,5... Acho que vou ter que estudar este assunto. E acho que tenho que começar por aqui:
Pois, parece que já há livros que nos ensinam a passar nestes testes... E eu pergunto-me: se isto é passível de ser estudado, aprendido, treinado e etc, não é isso sinal da própria fiabilidade dos testes? Afinal o teste do polígrafo também seria completamente fidedigno... até aparecerem pessoas treinadas para o enganar!
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Não poderia deixar de mencionar aqui esta notícia, que saiu a semana passada no site do jornal Público. E vem mesmo a propósito do que escrevi no post anterior. Resumindo, um sociólogo fez um estudo em que concluiu que os novos emigrantes portugueses em França (e falamos de trabalhadores qualificados) saíram dos país porque querem ser adultos...
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
A eterna insatisfação
Eu sei que devia estar contente. Eu sei. Mas não estou. Não consigo estar. Encontrei um trabalho, em part-time, em regime de prestação de serviços. Sim, eu sei, é melhor do que nada (como eu odeio esta expressão!). Mas, mesmo assim, não consigo estar feliz. Ainda não tenho o número de horas definitivo, é verdade, mas também sei que, mesmo a correr bem, não passará de um certo valor, isto, claro, em termos brutos, porque depois há que ir às Finanças e à Segurança Social saber o valor do estrago que eles me vão fazer...
Eu sinto-me num beco sem saída, parece que esta situação não vai mudar nunca e eu só posso escolher uma de duas opções: desempregada ou precária. Não vejo qualquer futuro para mim e isso deixa-me profundamente transtornada. Tento preencher a minha mente com mil e uma coisas diferentes, mas é impossível relaxar, o meu pensamento foge-me constantemente para o mesmo sítio e esse sítio é um beco sem saída. Sinto que não tenho direito a ter uma vida própria. Sinto que não tenho direito a ter a minha vida...
Durante as últimas semanas fui-me enchendo de esperança. De repente, e sem eu estar à espera, começaram a chegar as convocatórias para entrevistas, algumas delas vindas de anúncios aos quais eu já tinha respondido há meses! No entanto, finda essa pequena época encantatória, durante a qual eu me permiti sonhar bem alto, regressei ao mesmo vazio de sempre, com uma queda muito forte e muito bruta, apenas amortecida por um pequeno prémio de consolação que é este trabalho. É isso mesmo, tendo em conta o leque de possibilidades que eu tinha há uns dias, este parece mesmo apenas um pequeno prémio de consolação. Mas eu quero mais, muito mais. Eu preciso de muito mais, porque eu preciso, e mereço, uma vida a sério.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Ir ao engano
Cada vez me convenço mais de que anda meio mundo a tentar enganar outro meio. E isso vê-se nos nomes que dão às profissões nos anúncios de emprego. Por exemplo, aquilo que há uns anos se chamava "Vendedor Porta a Porta" neste momento pode ter várias designações, tais como "Técnico Comercial Door to Door", "Vendedor D2D" ou "Comercial D2D". Depois venham cá dizer que isto não é para enganar as pessoas... Mas esta gente terá noção do ridículo? Eles acham mesmo que as pessoas são assim tão tontas e que não acabam por descobrir o que isto realmente é?!
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Estará o desemprego mesmo a baixar?
Os anúncios de emprego com que vou deparando, bem como as notícias que todos os dias ouço ou leio, deixam-me muito poucas dúvidas: cada vez mais caminhamos para uma situação de escravatura dos tempos modernos. Como é óbvio, para tal contribui, entre outras coisas, o facto de proliferarem os estágios não remunerados, bem como a degradação das condições de trabalho e do valor dos salários.
Foi isso mesmo que hoje li num texto de opinião muito interessante. A propósito dos números do desemprego, que parecem estar a baixar, diz o autor (um jornalista) que tal não reflecte necessariamente uma melhoria nas condições de vida, mas sim um medo generalizado que faz com que as pessoas aceitem qualquer coisa a troco de quase nada:
A propósito dos estágios não remunerados, o jornalista, que já foi um seu defensor, agora critica-os, por serem apenas uma maneira cómoda de obter mão de obra de forma gratuita, em vez de ser um período de formação, como seria expectável:
Acho que este texto diz bastante sobre o estado a que este país chegou. Quem quiser pode lê-lo integralmente: A escravatura como forma de combater o desemprego?, um texto do jornalista José Vítor Malheiros, publicado no site Clube de Jornalistas.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Mais um NÃO.
No final da semana passada recebi o email por que tanto ansiava. Tinham-me prometido uma resposta, fosse ela positiva ou negativa. Como podem perceber pelo título, foi mais um NÃO.
Não passou à próxima fase.
Na semana anterior, tinha concorrido a uma vaga que tinha sido anunciada nesse mesmo dia. Qual não é o meu espanto quando, ao final do dia, me ligam a marcar entrevista para o dia seguinte! Em Lisboa! Bem, lá fui eu, toda contente, com esperança. Achei que era desta que a sorte me ia bater à porta! Estava tudo a meu favor: vi aquele anúncio e, apesar de preencher a maioria dos requisitos que eles exigiam, estive mesmo quase para não concorrer, pois achava que não teria hipótese; concorri e, no mesmo dia, convocaram-me para uma entrevista! Só podia correr bem!
Em primeiro lugar, fui apanhar um bocadinho de ar e tive a oportunidade de andar de comboio, que é coisa que eu adoro, mas, tirando isso, mais valia ter ficado em casa. Sempre tinha poupado dinheiro! A senhora, muito simpática e prestável (diga-se de passagem), entrevistou duas pessoas ao mesmo tempo (eu e outra senhora, que por acaso tinha mais de 15 anos de experiência num posto daqueles) e eu fiquei logo muito desconfortável. Para além disso, não me perguntou nada de especial, aquilo que lá fui fazer poderia ter sido feito pelo telefone ou por email, até porque esta era apenas a 1ª de várias fases do processo de recrutamento.
Portanto, com base no meu Curriculum Vitae, e na opinião que a técnica formou a meu respeito, ela e a entidade para a qual estava a contratar iriam decidir se eu passaria à 2ª fase que era, nem mais nem menos, do aquela dos testes psicotécnicos maravilhosos de que eu já falei aqui. Por este prisma, até foi melhor terem-me dito já que não, pois assim poupei o dinheiro de mais uma viagem de ida e volta a Lisboa em vão. Sim, porque é certo e sabido que eu não passo nesses testes...
Mas, de qualquer forma, fiquei muito triste. Era um área diferente daquela a que estou habituada, mas acho que até poderia fazer um bom trabalho se me tivessem dado sequer uma hipótese. Era para uma boa empresa e tinha um bom salário!
Por isso, nos últimos dias eu tenho andado com uma neura descomunal!...
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Sonhar pequenino
Se há coisa que sempre me incomodou neste país, ou melhor, nas gentes que habitam este país, é a incapacidade de sonhar. Mas de sonhar mesmo! Parece que os nossos sonhos têm que ser proporcionais ao tamanho do país: pequeninos, pequeninos. Se é para sonhar, que seja em grande! Se já me tiraram tudo, por favor, não me tirem a capacidade de sonhar!
terça-feira, 3 de setembro de 2013
O regresso às aulas
Setembro é o mês do regresso às aulas e, para mim, também o vai ser. Chegou a parte de leão do mestrado: investigar e escrever a tese. Pois bem, vai ser uma tarefa complicada visto que eu ainda não escolhi o tema e tenho prazos a cumprir. Mas a verdade é que não me consigo concentrar nisso plenamente, visto que a minha cabeça está sempre a fugir para outros assuntos.
Esta é uma aventura que me entusiasma, bastante até, mas não consigo deixar de pensar na minha situação enquanto desempregada. Enquanto fazia os trabalhos, o ano passado, aconteceu-me, várias vezes, ficar pura e simplesmente incapaz de avançar, porque ficava completamente obcecada com a procura de emprego e com a falta de respostas. Havia dias em que não me conseguia concentrar naquilo que tinha para fazer.
Por isso, enquanto nada mais acontece, resta-me concentrar no estudo, na investigação e na escrita da tese. Mas é claro que a minha cabeça vai andar constantemente a fugir para outros lados...
domingo, 1 de setembro de 2013
Porque isto é tudo uma questão de sorte. E nada mais!
Durante algum tempo, 3 anos para ser mais precisa, achei-me uma pessoa cheia de sorte. Acabei o curso (quatro anos mais um de estágio, não remunerado diga-se de passagem) numa área daquelas que "não têm saídas", como se costuma dizer, e pouco tempo depois arranjei emprego na minha área. Tudo bem, foi um Estágio Profissional, mas ainda assim...
Quando acabou o estágio, eu fui posta a andar, mas voltei a encontrar emprego na minha área, mas desta vez bem melhor do que o outro. A contrapartida? Era uma substituição. Estive a substituir uma colega que esteve de baixa prolongada durante largos meses. Entretanto ela regressou e eu lá fui à minha vida. Estive uns meses desempregada, sem direito a nada porque não chegava a ter um ano de descontos para a Segurança Social, graças aos moldes do maldito Estágio Profissional. Mas esta situação não durou muito tempo, é verdade, porque uns meses depois voltei a receber um telefonema da empresa onde tinha estado a trabalhar; estavam a chamar-me de novo porque uma outra colega estava no início de uma gravidez de alto risco e iria ficar de baixa durante muito tempo (se a gravidez corresse bem, claro está). E aí fui eu para mais uma substituição. A verdade é que nenhum destes contratos (a termo incerto) era muito seguro! Isto porque, de mês a mês, eu sentia o coração cair-me aos pés, pois legalmente as baixas são renovadas com periodicidade mensal (é o tempo máximo permitido por lei).
Nesta segunda substituição, tudo correu bem com a gravidez da minha colega, ela teve a sua bebé e eu continuei a substituí-la durante a licença de maternidade. Até que chegou o dia que eu mais temia. A secretária da direcção veio falar comigo para marcar uma reunião com o director. Ora, sabendo eu que o director não era uma pessoa nada formal e que falava connosco a qualquer altura, quando fosse necessário, vi logo do que se tratava: iam dar-me a guia de marcha. Bem, lá no fundo (bem no fundo) eu ainda tinha uma réstia de esperança, lá achava que podia haver uma meia-dúzia de horas para mim! Naquela altura eu já me sentia muito bem naquela casa, estava a adorar o meu trabalho (com muito sangue, suor e lágrimas pelo meio) e já me sentia parte da família! Não queria, de maneira nenhuma, ir embora... Mas aquilo que eu mais temia aconteceu, o director tinha-me chamado para dizer que a minha colega ia voltar, mais cedo do que o previsto (não ia gozar a licença toda) e estava na hora de eu me pôr a andar. Avisou-me das condições do fim do contrato e da carta que eu iria receber (tudo conforme a lei). E agradeceu-me. Sim, agradeceu-me pelo meu trabalho!
E pronto, dai a um tempo já estava, mais uma vez, sem emprego, mas desta feita com direito a protecção social (sobre as minhas aventuras com a Segurança Social e com o Centro de Emprego falo doutra vez, porque merecem um (ou mais) post à parte).
Queria ainda acrescentar que foi por um mero acaso que fui parar a esta empresa. Quando vi que o meu Estágio Profissional estava mal parado e que, ao contrário do que me tinha sido prometido no início, o mais provável era que não fosse integrada na empresa, fiquei com tanta raiva que comecei a fazer candidaturas espontâneas. Enviei, por carta (!), o meu currículo a meia-dúzia de empresas da zona, na minha área de formação, pensando de antemão que não serviria de nada. Só houve uma que me respondeu, dizendo que, naquele momento, não tinham qualquer vaga na minha área, mas que guardariam o meu CV para uma oportunidade futura. Daí a uns meses estavam a ligar-me para fazer a primeira substituição...
Há coisas do arco da velha, não há?! Cada vez mais me convenço que, nisto da procura de emprego, o que mais conta é aquele factor sobre o qual nós não temos qualquer controlo: a sorte!
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