Nos últimos tempos, tenho concorrido a vagas nas mais diversas áreas. No entanto, por mais tempo que passe há um sítio no qual não me vejo a trabalhar: um call center. Para além de, a nível pessoal, não ter qualquer competência para vender algo a alguém nos moldes em que um trabalho destes exige, as condições de trabalho nestes locais sempre deixaram muito a desejar. Li agora um texto muito interessante exactamente sobre isso, nomeadamente sobre o Call Center da PT em Coimbra. Começando nos contratos de trabalho de 15 (sim, leram bem, quinze) dias, passando pela pressão psicológica sob os trabalhadores, até às indicações que lhes dão para enganar os potenciais clientes, parece que tudo é permitido quando o objectivo é o lucro máximo. Depois de ler este texto, encontrei outro, no mesmo site, sobre o trabalho em Call Centers em Portugal que, ao que parece, está em clara expansão. Parece que aqui eles conseguem encontrar aquilo de que precisam: condições tecnológicas, mão-de-obra barata e fluente em línguas! Se se derem ao trabalho de fazer uma pesquisa nos sites de emprego verão que a grande maioria dos empregos na categorias de línguas são, na verdade, para este tipo de serviço, embora possam ter vários nomes (operador de call center, helpdesk, Costumer Service, etc...).
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Regulamentação dos anúncios de emprego - Petição Pública
No seguimento do post anterior, gostaria de aproveitar este espaço (que, provavelmente, não é lido por ninguém) para divulgar a plataforma Ganhem Vergonha, que se dedica, justamente, a denunciar anúncios de emprego ilícitos, fraudulentos e imorais. Para além desta divulgação, que já foi objecto de reportagem jornalística, os seus autores foram mais além e criaram uma Petição Pública, para forçar os nossos governantes a repensar as regras do jogo, ou seja, a regulamentar o mercado dos anúncios de emprego.
Já ouvi muitos aplausos a esta iniciativa, já muita gente assinou a petição e/ou a partilhou (eu incluída), mas também já ouvi críticas, que se prendem com a impossibilidade de fazer uma fiscalização constante e detalhada aos vários sites de emprego. A estes eu respondo dizendo, apenas, que esta legislação teria, sobretudo, uma FUNÇÃO DISSUASORA. Dou um exemplo. É impossível apanhar todas as pessoas que passam sinais vermelhos no trânsito, mas isso não significa que se acabe com essa proibição! Ora, esta tem, por isso mesmo, e acima de tudo, a função de dissuadir a acção, porque as pessoas sabem que é ilegal e que se forem apanhadas serão punidas. Com a questão dos anúncios de emprego seria a mesma coisa. É óbvio que os anunciantes sem escrúpulos iriam continuar a tentar publicar os seus anúncios, mas teriam que o fazer de outra forma, utilizando sites manhosos que não seguissem a lei. E, ao fazê-lo, correriam sempre o risco de serem apanhados e punidos. HAVERIA ESSA POSSIBILIDADE. Acima de tudo, o que esta legislação poderia fazer, efectivamente, era fazer com que se estabelecessem claramente quais são os sites de emprego fiáveis e fidedignos, que cumprem a lei e não deixam publicar qualquer monte de lixo. E aí sim, isto poderia começar a mudar!
Aqui fica o link para a Petição Pública. Basta introduzir os seus dados (Nome, BI e email), depois é só validar o email que lhe será enviado para o endereço que indicou (caso não o faça a sua assinatura não será contabilizada!).
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Os anúncios de emprego
Os anúncios de emprego em Portugal são um bicho estranho. Não havendo legislação que os regule, seria de esperar que imperasse o bem senso, mas parece-me que este não abunda muito por estes lados. Vê-se de tudo um pouco: empregadores anónimos, condições de trabalho absurdas, salários irreais (quando referidos) e a exigência de tudo e mais um par de botas. E seria de pensar que isto seria apenas em sítios manhosos, como lhes costumo chamar, mas não, estes anúncios aparecem nos sites mais populares de oferta/procura de emprego, inclusivamente num site governamental, pago, portanto, com dinheiros públicos. Falo, obviamente do sítio online do IEFP, do qual já falei brevemente aqui. Na verdade, aqui existem muito poucas ofertas publicadas e as que existem são, muitas vezes, se não ilegais, muitas vezes imorais. Não constitui surpresa nenhuma encontrar por lá anúncios em que se pedem licenciados (ou mestres), como arquitectos, engenheiros ou professores, a tempo inteiro pelo salário mínimo (485 euros, uma fortuna). E eu questiono-me sempre se, antes de qualquer anúncio ser lá publicado, não haverá por lá uma alminha com a quarta classe mal tirada, que saiba ler, e que olhe para aquilo com olhos de ver e não permita a publicação!? Daqui as pessoas depois retiram as suas conclusões: se através de um organismo público podemos publicar anúncios destes, sem qualquer proibição ou penalização, então noutros lugares podemos fazer muito pior! E é o que fazem...
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Apoio
Quando estamos à procura da emprego, há uma coisa que é fundamental: o apoio de quem nos rodeia. E isso costuma ser raro. As pessoas nem sempre o fazem de propósito, mas a verdade é que, com meia dúzia de palavras, com uma atitude ou, pura e simplesmente, pelo facto de não se interessarem, podem desmoralizar por completo quem está desempregado. Destroem-lhe aquilo que, basicamente, é a única coisa certa, aquilo a que se podem agarrar nestas alturas: a esperança.
domingo, 11 de agosto de 2013
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
O que eu fiz durante este ano de desemprego
Quando, há um ano, soube que ia ficar desempregada, achei que deveria arranjar algo com que me entreter enquanto não encontrasse trabalho. Apesar de no início acreditar que não iria ficar naquela situação durante muito tempo, também sabia que precisaria de fazer algo para me ocupar.
Pois, eu podia ter-me dedicado a algo "simples" como o tricot, mas não. Achei que precisava de um desafio. Foi então que resolvi fazer algo que já desejava há algum tempo. Resolvi candidatar-me ao mestrado. Sim, eu ainda sou do tempo em que não havia produção de mestres em série. Fiz a candidatura sem grandes expectativas, pois até achava que não iria ficar colocada. Surpresa das surpresas! Fui aceite.
Em Setembro começou, então, uma nova etapa escolar na minha vida. Foi um ano lectivo muito suado. Os neurónios fartaram-se de trabalhar e quase deram o berro, mas a recompensa foi muito gratificante! Gostei imenso dos professores e de tudo o que aprendi!
Agora, se me vierem perguntar se este mestrado me abre novas possibilidades de emprego, a minha resposta vai ser um não redondo. Sempre o encarei como uma forma de valorização e realização pessoal, de aprender mais sobre uma das minhas áreas de interesse, mas, sobretudo, como UMA FORMA DE MANTER A MINHA SANIDADE MENTAL. Sim, porque estar desempregada não é como estar de férias... Custa muito. E, nesse aspecto, tive sorte. Não pirei de vez durante este ano. Esta é se calhar a parte que mais vezes é descurada ou negligenciada quando falamos de desemprego...
Bem, apesar de ter tido o mestrado para me "entreter", a minha principal preocupação sempre foi a de encontrar um emprego. Continuei sempre a procurar e sabia perfeitamente que, se tivesse que escolher, a minha prioridade teria sempre que ser o trabalho!
Terminei a parte curricular, agora falta a parte da tese... Mas eu continuo sempre a dizer que o que eu queria mesmo, mesmo, neste momento, era trabalhar! A redacção da tese, essa, se não for compatível com um trabalho, não sendo de todo esquecida, terá que ser adiada, ou ser, pelo menos, feita apenas a "tempo parcial", à medida das possibilidades.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
A carta
Li por aí uma notícia que dava conta da diminuição do número de desempregados e lembrei-me, a propósito disso, de uma carta que recebi do Centro de Emprego no passado mês de Julho. Então, a missiva rezava assim:
"Na sequência da sua inscrição para emprego, informamos que ainda não nos foi possível satisfazer o seu pedido de emprego. Se continuar interessado, queira devolver-nos este postal devidamente preenchido, no prazo de 10 dias a contar da data do correio. Se não responder procederemos à anulação da sua inscrição."
Durante os meses em que fui agraciada com a fortuna a que eles chamam de subsídio de desemprego, nunca me convocaram para nadica de nada. Só tinha que comparecer na Segurança Social, de 15 em 15 dias, como uma criminosa, para dizer que sim que ainda cá estava e que não tinha fugido com a fortuna que eles me "davam". Nunca me chamaram para verificar se eu estava a cumprir a minha parte (procura de emprego), nem sequer para me ajudar a encontrar emprego (estabelecer um plano, dar dicas, conselhos, etc...). Nem uma formação me propuseram!
De repente, queriam saber se ainda me podiam "ajudar"... Eu sei bem o que é que eles queriam! Queriam limpar as listas de desempregados para ficar bem nas estatísticas! Comigo é que não contam para isso. Fiz questão de preencher a dita carta e de a pôr no correio logo a seguir para que eles saibam que continua a precisar da "ajuda" que eles prestam para procurar um emprego. Não se livram de mim assim tão facilmente...
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Quem espera também desespera!
Quando andamos à procura de emprego, há dias melhores e dias piores. Há, acima de tudo, uma rotina que se instala, que é a da procura nos sites de emprego. Todos os dias, mais do que uma vez, faço uma ronda pelos sites principais (nada de sítios manhosos) e vejo anúncios para as mais variadas áreas. Concorro a vários. No entanto, à medida que o tempo vai passando e não obtemos qualquer resposta, que é o que custa mais (mesmo as respostas negativas não doem tanto como a ausência de um feedback), vamos entrando em desespero. É nestas alturas que a esperança e boa disposição que fazemos por ter se desvanecem... Já perdi a conta ao número de currículos que enviei! E o que me magoa mesmo é ter concorrido a algumas vagas na minha área, para as quais tenho formação e alguma experiência, e não ter sido, sequer, considerada para uma entrevista...
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Um mar de estágios que parece não ter fim!
Este fim-de-semana, li, no suplemento de emprego do jornal Expresso, uma pequena notícia que dava conta das empresas que mais tinham anunciado neste espaço (em papel e online) durante o mês de Julho. Foi elaborado um ranking e em primeiro lugar aparecia uma empresa que, nas últimas semanas, encheu o site com ofertas de emprego. E isto seria um motivo de celebração caso todas as vagas anunciadas, que não são poucas, não fossem em regime de Estágio Profissional do IEFP, ou seja, patrocinados por dinheiros públicos. Eu já tinha deparado com estes anúncios no site porque, basicamente, estão todos mal categorizados e inseridos no mesmo sítio (porque colocá-los um a um na categoria certa dá muito trabalho). Para além disto, há duas semanas também já tinha reparado num anúncio de página inteira que publicitava estas 50 vagas, no suplemento acima referido.
Esta questão dos Estágios Profissionais constitui matéria suficiente para um post individual, mas aproveito já para adiantar que estes não constituem uma forma de incentivo à contratação de jovens, mas sim uma forma de possibilitar que grandes empresas contratem recém-licenciados com o largo contributo do estado. E desenganem-se se julgam que estes apenas são apoiados com parte do vencimento, porque também usufruem de muitas benesses em termos fiscais, nomeadamente nos pagamentos à Segurança Social. Portanto, fica muito mais barato para uma grande empresa contratar estagiários patrocinados pelo Estado do que integrar meros trabalhadores.
Se fizerem um pequeno exercício de busca pelos principais sites de emprego, vão rapidamente verificar que a maioria das ofertas de "emprego" que existe é neste formato. As empresas querem apenas recrutar estagiários, inclusive grandes empresas que têm capacidade económica. E, depois, contratam um verdadeiro exército de estagiários, como é o caso desta! São cinquenta jovens que, durante um ano, vão dar o litro pela empresa, vão trabalhar como qualquer outro trabalhador, com os mesmos deveres, mas sem os mesmos direitos. Vão esforçar-se sempre com uma possível integração na empresa na mira, no entanto serão muito poucos aqueles que conseguirão, efectivamente, ser contratados no final do estágio.
E assim apenas conseguimos empurrar com a barriga uma situação já muito grave, a do desemprego jovem. Porque estes estágios não vão resolver este problema, nem sequer vão ajudar, visto que estes batalhões de estagiários que hoje são "contratados", daqui a um ano estarão no olho da rua, com uma mão à frente e outra atrás. Estarão desempregados e sem qualquer tipo de protecção, visto que, como estagiários, não efectuaram descontos para a segurança social, não têm direito ao Subsídio de Desemprego. Ou seja, daqui a um ano estarão no mesmo sítio. Daqui a um ano vão estar novamente desempregados. Daqui a um ano vão novamente andar desesperados à procura de emprego. Daqui a um ano os empregos que vão encontrar são todos para estagiários. Daqui a um ano já não vão poder concorrer a estes porque já fizeram um estágio profissional. Daqui um ano vão estar novamente a ver navios...
E isto é uma pescadinha de rabo na boca, é uma situação que parece não ter fim!
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Questões que me inquietam
Eu só gostava mesmo de perceber por que é que eu nunca sou chamada para entrevistas. A sério. É algo que está para além do meu entendimento, até porque, nas últimas semanas, tenho concorrido a posições na minha área de formação e para as quais tenho competências e até alguma experiência. Por isso, não ser sequer considerada para uma entrevista deixa-me doida... Será que se dão ao trabalho de ler os CVs todos? Eu começo a achar que os mandam ao ar e aqueles que caírem em cima da mesa é que são os escolhidos... É que uma pessoa espera e desespera! Estou farta, farta, farta.
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